Congelamento ocorre após ameaças de Donald Trump de impor tarifas a países europeus que apoiam autonomia da Groenlândia
Parlamento Europeu congela acordo comercial com EUA após ameaças de tarifas relacionadas à Groenlândia feitas por Donald Trump.
O Parlamento Europeu oficializou, em 20 de janeiro de 2026, a suspensão da ratificação do acordo comercial celebrado com os Estados Unidos em julho de 2025. A decisão foi tomada em resposta às recentes ameaças do presidente Donald Trump de impor tarifas progressivas a países europeus que apoiam a autonomia da Groenlândia, gerando um impasse diplomático e comercial entre as partes.
Pressões políticas e comerciais em torno da Groenlândia
A controvérsia teve início quando Trump anunciou, em 17 de janeiro, a intenção de aplicar tarifas adicionais de 10% a partir de 1º de fevereiro sobre importações provenientes de oito países europeus, incluindo Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido. Este percentual subiria para 25% em 1º de junho e permaneceria até que os EUA fechassem um acordo para comprar a Groenlândia, território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca.
Reação do Parlamento Europeu
Iratxe García Pérez, presidente do grupo Socialistas e Democratas (S&D), declarou que existe um acordo majoritário entre os grupos políticos do Parlamento para congelar o processo de ratificação do acordo comercial. A decisão foi acompanhada pelo Partido Popular Europeu (PPE), maior grupo político de centro-direita, que também confirmou o posicionamento de suspensão.
García Pérez criticou as medidas americanas, classificando-as como “pressão imperialista” e ressaltou a necessidade de uma resposta firme e clara da Europa. Segundo ela, os ataques de Trump evidenciam uma postura que depende da “lei do mais forte”.
Contexto do acordo comercial e implicações
O acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos foi aprovado em 2025, aguardando entrar em vigor entre março e abril de 2026. Ele previa a redução de tarifas de 30% para 15% sobre a maioria dos produtos europeus nos EUA, além da eliminação de algumas taxas de importação europeias e outras medidas de abertura comercial mútua.
A suspensão do acordo representa um retrocesso nas relações comerciais e destaca a complexidade das negociações em um cenário marcado por tensões geopolíticas e interesses estratégicos. A disputa em torno da Groenlândia expõe fragilidades na cooperação transatlântica, especialmente diante de iniciativas unilaterais.
Alternativas e posicionamentos estratégicos
Além de criticar as ações americanas, García Pérez apontou para o fortalecimento das relações da União Europeia com outras regiões, como o Mercosul, que pode oferecer uma resposta ao que chamou de “Doutrina Monroe de Trump”, que defende uma “América para os americanos”.
Este movimento sinaliza uma busca por diversificação nas parcerias internacionais e reforça o compromisso europeu com o multilateralismo e a democracia, frente a ameaças percebidas por seus membros.
Desdobramentos futuros
O Parlamento Europeu mantém o congelamento do acordo comercial até que as tensões em torno das tarifas e da questão da Groenlândia sejam resolvidas. A posição europeia sugere que negociações futuras precisarão levar em conta não apenas aspectos econômicos, mas também desafios políticos e estratégicos que afetam a estabilidade das relações transatlânticas.
A crise reforça a complexidade do comércio internacional na atualidade, onde decisões políticas podem impactar diretamente acordos econômicos, exigindo maior coordenação e diálogo entre aliados tradicionais.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: colorida de Donald Trump
