O leão-das-cavernas, uma das maiores espécies de felinos conhecidas, habitou uma vasta área que se estendia da Europa Ocidental até a América do Norte, atravessando a Sibéria. Este animal, que caçava grandes presas e, possivelmente, até mesmo humanos, foi extinto por volta do final da Era do Gelo, há cerca de 14.000 anos.
Uma nova pesquisa genômica, que analisou as diferenças entre o leão-das-cavernas e o leão moderno, traz à tona informações sobre a singularidade dessa espécie. O estudo comparou os genomas de 12 leões-das-cavernas, que viveram entre 17.000 e 148.000 anos atrás, em locais como a Rússia, a Áustria e o Yukon, no Canadá, com os de 20 leões modernos. O DNA analisado foi extraído, principalmente, de ossos e dentes, além de tecido mole de filhotes que estavam bem preservados na Sibéria, onde o frio ajudou a conservar o material genético.
Love Dalén, geneticista evolucionista do Centro de Paleogenética, uma parceria entre a Universidade de Estocolmo e o Museu Sueco de História Natural, destacou que os leões-das-cavernas não eram meras versões da Era do Gelo dos leões modernos, mas sim uma linhagem evolutiva distinta. A pesquisa revelou que a divergência entre as linhagens das duas espécies ocorreu há aproximadamente 1,7 milhão de anos, durante o Pleistoceno. Essas espécies apresentavam variantes genéticas únicas, adaptadas a diferentes ambientes e comportamentos, com diferenças relacionadas ao crescimento, à visão, à função cerebral e ao desenvolvimento do sistema circulatório.
Embora o nome sugira o contrário, o leão-das-cavernas não habitava cavernas. Ele era significativamente maior e mais robusto que o leão atual, adaptando-se a climas mais frios. À medida que as calotas polares cresciam e a tundra se expandia, esses felinos migraram para o sul, resultando em uma sobreposição de territórios com os leões modernos. O estudo também sugere que o clima era um fator determinante no nível de cruzamento entre as espécies, que poderia ocorrer em regiões como o atual Irã, onde uma população considerável de leões modernos ainda existia.
As mudanças climáticas no final da Era do Gelo foram um fator crucial para a extinção de muitas espécies da megafauna, incluindo o leão-das-cavernas. Além disso, a pressão da caça humana contribuiu para essa extinção. David Stanton, um dos pesquisadores, afirmou que o leão-das-cavernas, assim como outras espécies da megafauna, enfrentava enormes desafios devido às rápidas mudanças climáticas e ao aumento da densidade populacional humana. Essa extinção se alinha com o padrão de extinção em massa observado na época, embora as causas ainda não sejam completamente compreendidas.