PF cumpre mandados por suspeita de fraude em previdência de São Roque

A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira (27/10) nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e Pernambuco dentro de uma investigação sobre possíveis fraudes no São Roque Prev, o Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque, no interior paulista. Os agentes apuram aplicações de R$ 80 milhões em Letras Financeiras e de R$ 20 milhões em um Fundo de Investimento Imobiliário.

Segundo a PF, as aplicações teriam sido amparadas por pareceres técnicos genéricos e sem fundamentação adequada. A investigação também aponta que os responsáveis não consideraram processos administrativos sancionadores, análises comparativas de ativos disponíveis no mercado e a diversificação do portfólio. Há ainda a suspeita de que o processo decisório teria sido direcionado, com os emissores escolhidos antes mesmo da avaliação de riscos.

O prejuízo estimado para o São Roque Prev é de aproximadamente R$ 121 milhões, valor bloqueado em desfavor dos investigados. Os suspeitos poderão responder por crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e peculato financeiro.

O comitê de investimento do São Roque Prev aprovou por unanimidade, em fevereiro de 2024, um aporte de R$ 93,2 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, conforme publicado pelo Metrópoles. Os pagamentos foram feitos em sete parcelas, entre abril e setembro daquele ano. O parecer técnico apresentado ao comitê calculou um retorno de R$ 12,7 milhões com a aplicação.

À época, o colegiado decidiu trocar os ativos que possuía junto ao BTG pelos do Master, após um parecer favorável de uma consultoria particular. A coluna Demétrio Vecchioli revelou que a Previdência municipal adulterou a ata sobre o risco de investir no Master. A primeira versão do documento, produzida no dia seguinte à reunião e enviada à Câmara Municipal, ao Ministério da Previdência e a outros órgãos de controle, dizia que os membros do comitê entenderam que o Master "trará risco ao SRPrev". Já a ata publicada no site e arquivada fisicamente na sede da SRPrev afirma que o entendimento foi de que o Master era um banco que "não aumentará risco".

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