Procuradoria-Geral da República aprova apoio espiritual ao ex-presidente, condicionando encontros à natureza religiosa e não política
PGR apoia assistência religiosa para Bolsonaro, destacando direito à liberdade de culto, mas impõe limites para encontros sem caráter político.
PGR defende assistência religiosa para Bolsonaro na prisão com restrições
A Procuradoria-Geral da República (PGR) concluiu em parecer nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, que a assistência religiosa para Bolsonaro na prisão é garantida pela legislação brasileira, assegurando a liberdade de culto e o acesso a livros de instrução espiritual. O procurador-geral Paulo Gonet enfatizou que o apoio espiritual pode ser prestado a Bolsonaro, desde que os encontros sejam de natureza exclusivamente religiosa e não contenham qualquer viés político.
Pastores indicados para atendimento espiritual a Bolsonaro na prisão
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou que o acompanhamento religioso na prisão fosse realizado por dois nomes de peso na capital federal: o Bispo Rodovalho, presidente da igreja Sarah Nossa Terra, e o deputado distrital Thiago Manzoni, conhecido como Pastor Thiago de Araújo Macieira Manzoni, da Igreja IDE localizada no Jardim Botânico. A PGR não apresentou objeções aos nomes indicados, mas reafirmou a necessidade de que a assistência respeite o caráter espiritual, sem interferências políticas.
Thiago Manzoni e sua relação política e religiosa na Câmara Legislativa
O deputado distrital Thiago Manzoni mantém uma ligação estreita com Bolsonaro. Em agosto de 2024, ele abrigou em seu gabinete o coronel Flávio Botelho Peregrino, ex-assessor do ex-ministro da Defesa Braga Netto. Peregrino foi alvo de investigação pela Polícia Federal em uma operação que apurou tentativa de golpe de Estado e obstrução de Justiça. Embora tenha sido exonerado do cargo na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) no ano seguinte, sua conexão reforça o perfil político-religioso do pastor indicado para prestar assistência a Bolsonaro.
Condições e limites estabelecidos para a assistência espiritual
A PGR estipulou que a assistência religiosa deve ocorrer de forma individual e sob supervisão institucional, evitando qualquer alteração na rotina do estabelecimento prisional. O objetivo é garantir a liberdade de culto sem comprometer a segurança nem a ordem da prisão. Bolsonaro está detido desde 22 de novembro de 2025, cumprindo pena de 27 anos e 3 meses por envolvimento em trama golpista.
Impactos e contexto da assistência religiosa no sistema prisional
A manifestação favorável da PGR ao pedido de assistência religiosa para Bolsonaro reafirma a garantia constitucional da liberdade de culto mesmo para presos em regime fechado. Contudo, o cuidado em limitar o caráter das visitas destaca a sensibilidade política do caso, na qual o ex-presidente figura como uma liderança polarizadora. A decisão também reflete o delicado equilíbrio entre direitos individuais e a manutenção da ordem institucional no sistema penitenciário.
A análise da Procuradoria-Geral da República revela uma tentativa de respeitar direitos fundamentais enquanto se previnem riscos políticos e de segurança, sobretudo em um cenário judicial e político marcado por alta tensão. A assistência religiosa autorizada poderá contribuir para o bem-estar espiritual do preso, mas estará condicionada a critérios rigorosos que coíbem o uso político das visitas.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Fábio Vieira/Metrópoles
