Procurador-Geral da República arquiva pedido para afastar ministro do STF por suspeita no inquérito
PGR mantém Dias Toffoli como relator do Caso Master e arquiva pedido de impedimento motivado por viagem em aeronave ligada a investigado.
O procurador-Geral da República, Paulo Gonet, arquivou o pedido de impedimento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no Caso Master, mantendo-o como relator do inquérito que investiga o grupo financeiro.
Contexto do pedido de impedimento
O pedido foi apresentado por deputados federais da oposição, que alegaram suspeição do ministro Toffoli em razão de uma viagem realizada em 28 de novembro a Lima, no Peru. Na ocasião, Toffoli teria utilizado uma aeronave pertencente a um advogado que representa um dos investigados no processo, especificamente o diretor de compliance do Banco Master, Luiz Antônio Bull.
Os parlamentares Adriana Miguel Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC) sustentaram que essa relação poderia comprometer a imparcialidade da condução do inquérito.
Decisão da Procuradoria-Geral da República
Paulo Gonet avaliou que o caso já está sob investigação regular no STF e que a Procuradoria-Geral da República está atuando conforme o previsto. Segundo o procurador-Geral, não há elementos suficientes para justificar o afastamento ou suspeição de Toffoli neste momento.
O arquivamento do pedido foi formalizado no dia 15 de janeiro de 2026, reforçando que o processo deve seguir seu curso dentro dos trâmites judiciais regulares.
Repercussões e posicionamento de Toffoli
Apesar da controvérsia e das pressões políticas advindas de vários setores, o ministro Dias Toffoli tem mantido seu posicionamento de que não há razões para se declarar impedido ou suspeito no Caso Master.
Ele tem comunicado a interlocutores e colegas ministros que sua condução busca preservar a legalidade e evitar alegações futuras de nulidade, afirmando que sua atuação no processo é imparcial. Toffoli inclusive avocou para o STF outros processos relacionados ao tema para evitar questionamentos posteriores.
Controvérsias na condução da investigação
O caso tem gerado tensão dentro do STF, não apenas pelo desgaste da imagem da Corte, mas também por divergências quanto à guarda das provas recolhidas pela Polícia Federal (PF).
Após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, Toffoli determinou que as provas fiquem sob custódia da PGR, decisão que gerou reclamações de delegados da PF. Eles argumentam que a perícia e extração de dados deveriam ser realizadas por equipes internas da PF, e não sob supervisão direta do ministro.
Situação atual do Caso Master
O inquérito segue em sigilo e teve sua duração prorrogada por mais 60 dias, conforme pedido da Polícia Federal e autorizada por Toffoli.
Itens apreendidos, como telefones e computadores, permanecem sob custódia da PGR para análise pericial, com a participação de quatro peritos da PF indicados para acompanhar os procedimentos.
Impacto político e judicial
A manutenção de Dias Toffoli como relator do Caso Master ocorre em meio a um ambiente político tenso e a críticas públicas, inclusive decorrentes da divulgação de informações sobre o Resort Tayayá, vinculado à família do ministro, que alimentaram ainda mais as pressões para seu afastamento.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, antecipou o fim de suas férias para tratar da crise e discute a implementação de um Código de Ética para a Corte, buscando fortalecer os mecanismos de transparência e conduta ética entre os ministros.
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Este caso ilustra os desafios enfrentados pelo Supremo Tribunal Federal na condução de investigações sensíveis que envolvem membros da própria Corte, e como a atuação da Procuradoria-Geral da República e o posicionamento do ministro relator são cruciais para a credibilidade do processo judicial no Brasil.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Procurador Geral da República, Paulo Gonet. O julgamento do ex
