A Polícia Civil do Rio de Janeiro deu início, nesta quarta-feira (8), à primeira fase da Operação Acerto de Contas, que tem como objetivo desmantelar uma organização criminosa envolvida em golpes contra servidores ativos e aposentados de um órgão de controle externo do estado. A operação, coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), incluiu mandados de busca e apreensão em São Paulo, onde três indivíduos foram detidos para depoimentos. Durante a ação, celulares e computadores foram confiscados e serão submetidos a perícia para auxiliar na identificação de outros membros da quadrilha.
As investigações revelaram que os golpistas abordavam as vítimas por meio de telefonemas, aplicativos de mensagens e e-mails, alegando que elas possuíam valores significativos a receber, que poderiam incluir créditos judiciais, gratificações ou benefícios financeiros. Para aumentar a credibilidade das fraudes, os criminosos se apresentavam como advogados, servidores públicos ou representantes de órgãos governamentais.
Os integrantes da quadrilha utilizavam nomes de profissionais reais e mencionavam órgãos públicos, além de empregar uma linguagem semelhante à utilizada em processos administrativos e judiciais. Após conquistar a confiança das vítimas, as pessoas eram encaminhadas para outros membros do grupo, que se encarregavam de supostas análises e liberações dos valores.
Posteriormente, os golpistas solicitavam pagamentos antecipados, alegando a necessidade de quitar taxas, impostos ou custas processuais para a liberação do dinheiro. As vítimas eram instruídas a realizar transferências, geralmente via Pix, para contas controladas pela quadrilha. Após o primeiro depósito, novas cobranças eram feitas, ampliando os prejuízos das vítimas.
As investigações indicam que esse mesmo golpe foi aplicado em diversas ocasiões contra servidores do órgão. Um relatório do próprio órgão confirmou a existência de várias vítimas relacionadas ao esquema. Além disso, a polícia identificou que os suspeitos utilizavam linhas telefônicas e endereços de e-mail criados especificamente para a prática criminosa, sendo muitas dessas contas descartáveis e sem identificação legítima.
Com os materiais apreendidos na operação, espera-se que seja possível identificar outros membros da organização criminosa, rastrear o fluxo financeiro obtido com as fraudes e reunir novas evidências para responsabilizar todos os envolvidos.