Operação revela possível fraude em destinação de R$ 400 milhões para o banco Master
A Polícia Federal investiga a destinação de R$ 400 milhões da Amprev ao banco Master, destacando gestão fraudulenta.
A Polícia Federal (PF) investiga a destinação de recursos da Amapá Previdência (Amprev) para o banco Master, destacando práticas que supostamente ignoraram alertas internos e não exigiram a documentação técnica necessária antes da aplicação de R$ 400 milhões. Essa movimentação ocorreu em deliberações que aconteceram em um curto espaço de tempo, menos de 20 dias, durante as quais o diretor-presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, teve papel central.
Contexto da Investigação
A Amprev, vinculada ao governo do Amapá, é responsável pela gestão do regime próprio de previdência do estado. O envolvimento de Jocildo, que já atuou como tesoureiro da campanha do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, levanta questões sobre conflitos de interesse. A PF apontou que a maior parte do comitê de investimentos aprovou a compra de letras financeiras do banco Master sem a devida análise de riscos, condicionando-a apenas a uma visita posterior ao banco.
A operação da PF, denominada “Zona Cinzenta”, resultou em buscas em residências de três gestores implicados nas decisões, incluindo Jocildo e outros membros do comitê de investimentos. Em resposta à investigação, a Amprev declarou que se sente lesada e busca ser ressarcida pelos malfeitos do banco Master, que já enfrenta dificuldades financeiras e foi liquidado em novembro do ano anterior, após a prisão de seu controlador.
Detalhes da Operação
Em 23 de janeiro, a PF solicitou à Justiça Federal a autorização para realizar buscas e apreensões. A Justiça acatou, levando à deflagração da operação que resultou na coleta de evidências sobre a má gestão dos recursos previdenciários. De acordo com o relatório, os gestores envolvidos priorizaram critérios econômicos sem uma análise reputacional adequada, o que pode se configurar como gestão temerária.
Alertas sobre a concentração de recursos da Amprev no banco Master foram desconsiderados durante as reuniões que aprovaram os aportes. As evidências indicam que houve uma neutralização dos alertas internos, além da condução do processo decisório em desacordo com padrões de governança.
Consequências e Impactos
As repercussões dessa investigação podem ser vastas, não apenas para os gestores envolvidos, mas também para a confiança pública nas instituições previdenciárias. A possibilidade de punições para os envolvidos e o ressarcimento dos valores investidos ao fundo previdenciário estão em jogo. A postura da Amprev, que já bloqueou pagamentos ao banco Master, reflete uma tentativa de proteger seus interesses e garantir que as medidas legais sejam cumpridas. A expectativa é que a Justiça seja rigorosa na apuração e punição dos responsáveis.
Conclusão
A continuação da investigação pela PF sobre a gestão da Amprev e o caso do banco Master revela a necessidade de uma governança mais robusta nas instituições responsáveis pela previdência. A sociedade aguarda respostas claras e ações efetivas para que casos de má gestão não se repitam, protegendo assim os recursos destinados à previdência pública.