Pré-candidata internacional, a distância

Casal Ramagem
Alexandre e Rebeca Ramagem | Foto: Instagram (arquivo)

A política brasileira é, possivelmente, a mais criativa e impressionante do planeta. O impossível é possível por aqui, até mesmo uma pré-candidata que é servidora de Roraíma, trabalhava em Brasília, mora nos Estados Unidos e deverá ser candidata pelo PL, possivelmente pelo Rio de Janeiro.

Rebeca Ramagem, esposa do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL), pediu licença do cargo de procuradora do Estado de Roraima para se candidatar nas eleições de 2026. O pedido foi protocolado em 15 de junho. Ela mora nos Estados Unidos com o marido, foragido da Justiça brasileira desde setembro de 2025.

Ao confirmar a sua pré-candidatura, Rebeca se torna uma inédita pré-candidata a distância internacional. No caso de ser candidata, não está claro se viria ao Brasil fazer campanha ou também faria no sistema home office, pela Internet.

Pela legislação eleitoral, servidores públicos que pretendem disputar as eleições precisam se afastar de suas funções dentro do prazo legal. Nesse caso, o prazo de desincompatibilização terminou no último sábado (4). Filiada ao PL desde março de 2022, ela não informou a qual cargo pretende concorrer. Contudo, dirigentes do partido no Rio de Janeiro já admitem uma candidatura à Câmara dos Deputados.

Casal Ramagem
Alexandre e Rebeca Ramagem | Foto: Reprodução Instagram

Multiausente

Rebeca é procuradora em Roraima desde 2015. Atualmente, está lotada na coordenadoria do órgão em Brasília, responsável por ações que correm nos tribunais superiores, com salário de R$ 46 mil mensais. Entretanto, ela não trabalha desde o ano passado, quando deixou o Brasil para acompanhar o marido. Além disso, está sem receber desde dezembro de 2025, quando o pagamento foi suspenso por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Procuradora em Roraima, trabalhando em Brasília, morando nos Estados Unidos e pré-candidata a algum cargo eletivo a ser definido pelo seu partido, possivelmente no Rio de Janeiro.

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, foi condenado pelo STF a mais de 16 anos de prisão por participação na trama golpista. Em seguida, ele deixou o país de forma clandestina, embarcando da Guiana para os Estados Unidos. Nas redes sociais, Rebeca se apresenta como “exilada política”.

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