Com rombo quase três vezes maior que no ano passado, empresa negocia financiamento de R$ 20 bilhões para evitar colapso
Prejuízo dos Correios soma R$ 6 bilhões até setembro. Estatais negocia empréstimo de R$ 20 bilhões para superar crise financeira.
Prejuízo dos Correios alcança R$ 6 bilhões até setembro e empresa enfrenta grave crise financeira
Os Correios acumularam um prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro, valor quase três vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior, que foi de R$ 2,1 bilhões. O resultado foi divulgado após aprovação das demonstrações do terceiro trimestre pelo conselho de administração da estatal na sexta-feira (28). O aumento das despesas operacionais, a queda nas receitas e novas obrigações judiciais e trabalhistas foram fatores determinantes para essa situação. Diante disso, a estatal negocia um empréstimo bilionário com um consórcio de bancos públicos e privados, com garantia do Tesouro Nacional, considerado essencial pelo governo para evitar o colapso dos serviços postais.
Negociação de empréstimo de R$ 20 bilhões para garantir a estabilidade financeira dos Correios
O empréstimo de R$ 20 bilhões está previsto para ser liberado em parcelas, com a primeira prevista para dezembro. O prazo de pagamento deverá ser de 15 anos, contando com um período de carência de pelo menos dois anos até o início dos pagamentos. O governo considera esse financiamento fundamental para a sobrevivência e continuidade dos serviços dos Correios. A expectativa é que a empresa comece a gerar lucro somente a partir de 2027. Essa medida faz parte de um conjunto de ações para estruturar financeiramente a estatal e evitar um colapso no setor postal brasileiro.
Plano de reestruturação inclui demissões voluntárias e fechamento de agências
Além da captação de recursos via empréstimo, o plano de reestruturação prevê a dispensa voluntária de aproximadamente 10 mil funcionários e o fechamento de pelo menos mil agências. Essas ações visam reduzir os custos operacionais e tentar equilibrar as finanças da empresa. No longo prazo, os Correios estudam alternativas para captar recursos adicionais, como abertura parcial de capital, formação de joint ventures e venda de ações, mantendo o controle da União sobre a estatal.
Queda nas receitas e aumento expressivo das despesas impactam desempenho financeiro
No terceiro trimestre, os Correios tiveram um prejuízo de R$ 1,7 bilhão, que somado aos R$ 4,4 bilhões acumulados no primeiro semestre, resultou no total de R$ 6 bilhões até setembro. A receita total caiu 12,7%, alcançando R$ 12,35 bilhões. Já as despesas gerais e administrativas aumentaram 53,5%, totalizando R$ 4,82 bilhões, pressionadas principalmente por ações trabalhistas desfavoráveis. Apesar de uma leve redução nos custos operacionais, que passaram de R$ 11,85 bilhões para R$ 11,69 bilhões, o resultado financeiro permanece crítico.
Impacto do déficit dos Correios nas contas públicas federais
O desempenho deficitário dos Correios tem aumentado a pressão sobre as contas públicas federais. O déficit primário previsto para a estatal em 2025 foi revisado para R$ 5,8 bilhões, mais que o dobro da estimativa inicial. Esse aumento compromete o saldo negativo das estatais federais, que deve totalizar R$ 9,2 bilhões. Esse cenário preocupa o governo, que enfatiza a necessidade de medidas urgentes para a recuperação financeira dos Correios e a preservação dos serviços postais essenciais para a população brasileira.
Fonte: www.moneytimes.com.br