Prejuízo do iprev cresce após caso banco master afetar ações do brb

Raimundo Sampaio/Esp. Metrópoles

Impacto negativo das decisões de Rollemberg sobre aposentados do Distrito Federal se agrava com queda no valor das ações do BRB

O prejuízo do Iprev-DF aumenta após desvalorização das ações do BRB ligada ao caso Banco Master, ameaçando a sustentabilidade das aposentadorias no Distrito Federal.

O Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF) está diante de um cenário preocupante, com prejuízos financeiros agravados pelo caso do Banco Master, que resultou na desvalorização das ações do Banco de Brasília (BRB). Esse contexto reforça os impactos das decisões tomadas há uma década pelo ex-governador Rodrigo Rollemberg, cujas medidas tiveram consequências diretas na saúde financeira dos fundos destinados aos aposentados do Distrito Federal.

O início das retiradas bilionárias e o impacto no Iprev

Em 2015, Rollemberg efetuou o primeiro saque de aproximadamente R$ 1,3 bilhão do fundo do Iprev-DF, justificando a ação como necessária para o pagamento da folha dos servidores ativos. No ano seguinte, uma segunda retirada de R$ 493 milhões foi realizada para equilibrar as contas do governo local. Essas ações dilapidaram as reservas do instituto, que até então mantinha superávit.

Tentativa de recomposição por meio das ações do BRB

No esforço para recompor os cofres, em 2017 foi anunciada a transferência de cerca de 16,47% do total das ações do BRB ao Iprev, avaliadas na época em cerca de R$ 531,4 milhões. A operação tornou o instituto o segundo maior acionista do banco, ficando atrás apenas do governo do Distrito Federal. Além disso, foram incorporados ao patrimônio do Iprev 44 imóveis.

Queda no valor das ações após o caso Banco Master

Em 2024, as ações do BRB passaram por um desmembramento, multiplicando o número de papéis sem alteração no valor. Mesmo com os ajustes, as ações mantiveram uma tendência de desvalorização contínua. Em setembro de 2025, a tentativa frustrada do BRB de adquirir o Banco Master impulsionou momentaneamente os papéis, mas os escândalos subsequentes provocaram nova queda. Em janeiro de 2026, o valor das ações do Iprev caiu para aproximadamente R$ 406,5 milhões, representando um prejuízo bruto de cerca de R$ 124,8 milhões em relação à avaliação inicial.

Riscos à sustentabilidade da previdência dos servidores

A combinação das retiradas iniciais e a depreciação posterior dos ativos financeiros aumenta o risco de o Iprev não conseguir fechar as contas, ameaçando o Regime Próprio de Previdência Social do Distrito Federal. Atualmente, mais de 75 mil aposentados e pensionistas dependem mensalmente dos recursos do instituto para seu sustento, o que torna a situação crítica.

Ações do Tribunal de Contas e cobranças políticas

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) investiga o caso a partir de representações parlamentares, buscando esclarecimentos sobre os prejuízos e possíveis responsabilidades. Deputados locais também manifestam preocupação com os efeitos das operações malsucedidas do BRB, ressaltando que a redução nos dividendos compromete diretamente o caixa do Iprev e pode afetar o pagamento dos benefícios.

A reportagem procurou o Iprev para comentar o tema, mas não obteve resposta até o momento da atualização desta matéria.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Raimundo Sampaio/Esp. Metrópoles

PUBLICIDADE

VIDEOS

JOCKEY

Relacionadas: