Problemas de estrutura marcam o crescimento do carnaval de rua em SP

Falta de diálogo entre organizadores e prefeitura gera insatisfação

Organizadores de blocos reclamam da falta de comunicação com a prefeitura, enquanto a gestão destaca o sucesso do evento.

O Carnaval de rua em São Paulo, em 2026, se apresenta como um evento em ascensão, mas enfrenta uma série de problemas que comprometem sua realização adequada. Com o aumento do número de blocos, a organização da festa se torna um desafio, especialmente em relação à comunicação entre os organizadores e a prefeitura. Os líderes dos blocos têm expressado suas frustrações quanto à falta de diálogo e à percepção de que sua contribuição não é valorizada.

A comunicação e a falta de diálogo

Os organizadores de blocos de carnaval, como Gustavo Leman do Bloco Tatuapé, têm reclamado da falta de acesso e comunicação efetiva com a administração municipal. Leman enfatiza que, em gestões anteriores, como a de Bruno Covas, havia um canal de diálogo que facilitava a colaboração. “Estamos há anos nas ruas e sabemos o que funciona”, afirmou. No entanto, a situação atual gera uma sensação de desvalorização, onde os organizadores se sentem como meros coadjuvantes no evento que eles mesmos ajudaram a criar.

Além disso, a questão dos banheiros químicos, cuja responsabilidade cabe à prefeitura, é um ponto crítico. Leman revelou que blocos na Zona Leste, até mesmo o Tatuzinho Kids, enfrentaram essa falta de infraestrutura essencial.

Críticas à administração e auxílios financeiros

Zé Cury, coordenador do Fórum de Blocos, criticou a gestão atual, afirmando que os repasses para os blocos são insuficientes. “Cerca de R$ 25 mil para 100 blocos não é fomento”, declarou. A insatisfação é crescente, com organizadores sentindo que suas vozes não são ouvidas enquanto a prefeitura utiliza números favoráveis para promover sua imagem.

Os blocos que atraem grandes artistas, como Calvin Harris, também geram preocupação. Cury criticou a programação que desvia atenção dos blocos tradicionais e sugere que eventos como esses devem ser realocados para evitar superlotação e confusão nas ruas.

Problemas logísticos e gestão de multidões

A logística durante o carnaval é um tema recorrente nas queixas. A dispersão dos blocos, especialmente à noite, apresenta riscos e complicações. Leman criticou a decisão de liberar as vias às 19h, o que, segundo ele, não é viável para o escoamento de grandes multidões. Cury complementou que o tempo dado para a dispersão era inadequado, resultando em situações de confusão e tumulto.

O professor de arquitetura e urbanismo Valter Caldana também apontou falhas na organização, ressaltando que a prefeitura tem a capacidade de gerenciar grandes plateias, como eventos esportivos, mas falha em situações de carnaval. Ele sugere que a localização dos blocos e eventos deve ser revisitada para assegurar um fluxo mais seguro de pessoas.

O futuro do carnaval de rua em São Paulo

A questão do carnaval de rua em São Paulo se revela complexa, envolvendo tanto a valorização da cultura popular quanto a necessidade de organização. O prefeito Ricardo Nunes declarou que o primeiro fim de semana do pré-carnaval foi um sucesso, mesmo admitindo a ocorrência de tumultos e superlotação. No entanto, especialistas alertam que a administração deve priorizar melhorias estruturais e comunicativas para o futuro do evento.

A transformação do carnaval de rua em um evento comercial pode ameaçar sua essência cultural, conforme observou Caldana. É fundamental que a prefeitura e os organizadores trabalhem juntos para garantir que o carnaval continue a ser uma expressão vibrante da cultura paulistana, sem sacrificar a segurança e a satisfação dos foliões.

Fonte: jovempan.com.br

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