A Argus atualizou sua previsão para a produção de trigo na Rússia para a safra de 2026/27, elevando a estimativa para 91,2 milhões de toneladas métricas. Este número representa o maior volume desde a safra recorde de 2022/23. A revisão se deve a uma análise realizada virtualmente nos campos, que revelou condições mais favoráveis para o cultivo do cereal de inverno.
A Rússia, que é a principal exportadora mundial de trigo, já iniciou a colheita para a safra de 2026, enquanto o governo se compromete a garantir um abastecimento estável de combustível, especialmente diante das dificuldades geradas pelos ataques de drones ucranianos a refinarias. A previsão da Argus para essa safra varia entre 88,5 milhões e 93,9 milhões de toneladas, tendo como base uma estimativa anterior de 88,7 milhões de toneladas.
Em comparação com a safra de 2025/26, que foi de 90,4 milhões de toneladas, a nova previsão reflete uma melhora significativa. O recorde anterior foi de 96 milhões de toneladas na safra de 2022/23. A Argus atribuiu essa revisão à recuperação do trigo de inverno, que havia sido afetado por períodos de seca nas safras anteriores.
Entretanto, a produção de trigo de primavera está projetada para cair para 22 milhões de toneladas, uma diminuição em relação aos 29,3 milhões de toneladas registrados em 2025/26. Essa queda é resultado da redução na área plantada e um retorno a rendimentos mais normais, após a obtenção de resultados excepcionais na safra anterior.
A produção de trigo de inverno, por sua vez, deve alcançar um recorde de 69,1 milhões de toneladas, conforme relatado pela Argus, que destacou as melhores condições das culturas no sul da Rússia, especialmente na região de Rostov. A área total cultivada com trigo na Rússia é estimada em 25,66 milhões de hectares, com uma produtividade média de 3,55 toneladas por hectare.
Contudo, chuvas intensas no sul da Rússia podem comprometer a qualidade do trigo. Além disso, um clima mais quente ou eventuais atrasos na colheita podem impactar negativamente o potencial de rendimento. A previsão da Argus foi baseada em observações realizadas entre 15 e 19 de junho.