Crisis econômica e ameaças externas acirram tensões no país
Novas manifestações no Irã trazem desafios ao governo de Khamenei em meio à crise econômica.
Protestos no Irã: uma nova onda de agitações
Os protestos no Irã, que começaram em dezembro de 2025, trazem à tona uma crise econômica devastadora que afeta a população. Estes atos de resistência surgem cerca de quatro anos após a morte de Mahsa Amini, que desencadeou uma onda de manifestações em 2022. A atual crise, com uma desvalorização de 56% do rial iraniano em relação ao dólar e um aumento de 72% nos preços dos alimentos, colocou o governo do aiatolá Ali Khamenei em uma posição vulnerável.
A magnitude dos protestos
Desde o início das manifestações, já foram registradas 42 mortes, incluindo 34 manifestantes e oito membros das forças de segurança. A resposta violenta do governo e o uso de força excessiva para reprimir os protestos geraram uma onda de indignação que se espalhou por 46 cidades. Muitas dessas manifestações começaram com comerciantes em Teerã que entraram em greve, e rapidamente ganharam apoio de outras camadas da sociedade.
Acusações de interferência estrangeira
O governo iraniano, além de lidar com a insatisfação interna, também enfrenta a pressão externa. Khamenei e outros líderes acusam os Estados Unidos de tentarem desestabilizar o país, especialmente após as ameaças de Donald Trump de intervenção militar caso o governo iraniano continuasse a reprimir manifestantes pacíficos. Khamenei, em suas declarações, traçou paralelos com a situação da Venezuela, sugerindo uma tentativa de intervenção ocidental nos assuntos internos do Irã.
A oposição interna
Por outro lado, Reza Ciro Pahlavi, o príncipe herdeiro exilado do último Xá do Irã, tem se posicionado como uma figura de oposição. Ele descreve os protestos como a “chama de uma revolução nacional”. Desde a sua saída do Irã após a revolução de 1979, Pahlavi tem clamado pela restauração de um governo democrático no país. Sua presença na mídia e seu discurso têm inspirado muitos a se unirem contra o regime atual.
O futuro das manifestações
Apesar das crescentes tensões, Khamenei afirmou que não recuará diante dos protestos, desafiando os manifestantes e aqueles que buscam causar desordem. O governo iraniano também enfrenta desafios logísticos, como um apagão na internet que dificultou a comunicação entre os cidadãos e o mundo exterior. Enquanto isso, as manifestações continuam, refletindo a profunda insatisfação da população frente à crise econômica e às restrições políticas.
Conclusão
A situação no Irã continua a evoluir, com protestos que desafiam a estabilidade do governo de Khamenei. A combinação de uma crise econômica devastadora, a pressão da oposição interna e as ameaças externas formam um cenário incerto. A resposta do governo, bem como a resiliência dos manifestantes, será crucial para determinar o futuro político do país.
Fonte: www.metropoles.com
