Desdobramentos do setor habitacional em meio a declarações do governo
As ações das construtoras enfrentam queda após o governo descartar novos cortes nos juros do MCMV, impactando o setor habitacional.
As ações das incorporadoras e construtoras listadas na Bolsa de Valores têm enfrentado uma clara desvalorização nesta segunda-feira, 9 de janeiro de 2026. O recuo foi motivado por declarações do ministro das Cidades, Jader Filho, que afirmou que o Governo Federal não tem a intenção de reduzir os juros do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), mesmo com a expectativa de uma queda na taxa Selic ao longo do ano.
Contexto do Minha Casa, Minha Vida e as Expectativas do Setor
A medida, que era esperada por muitos investidores, sinaliza uma possível estagnação nas condições financeiras que impactam o setor habitacional. As taxas de juros do MCMV já se encontram em níveis historicamente baixos, com a Faixa 1, voltada para famílias com renda de até R$ 2.850, estipulando juros de 4% ao ano nas regiões Norte e Nordeste e de 4,25% nas demais áreas do país. Jader Filho destacou em um evento na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que não há previsão de novos cortes, afirmando que a taxa atual vem atendendo às necessidades da população brasileira.
A manutenção dos juros pode ser um obstáculo para a expansão do setor, especialmente em um ano onde a meta é alcançar cerca de 3 milhões de contratos assinados desde 2023. A projeção é ambiciosa, mas a falta de flexibilização nas taxas pode limitar o acesso das famílias de baixa renda ao financiamento habitacional.
Movimentações do Mercado e Reações das Ações
No mercado, as ações de grandes incorporadoras como MRV (MRVE3), Direcional Engenharia (DIRR3) e Cury (CURY3) apresentaram quedas significativas, em torno de 0,67%, 1,14% e 1,04%, respectivamente. Curiosamente, a construtora Tenda (TEND3), com atuação semelhante, viu suas ações subirem aproximadamente 0,77%, demonstrando uma possível resistência à onda negativa que se abateu sobre o setor.
O BTG Pactual, em um relatório recente, manteve uma perspectiva otimista para o setor da construção civil em 2026, especialmente para as empresas voltadas ao segmento de baixa renda. O banco acredita que o impulso do MCMV deve continuar, sustentado por orçamentos robustos do FGTS e por atualizações nas condições do programa, o que pode preservar margens e resultados positivos por mais tempo.
Futuro do Setor Habitacional e Impactos Potenciais
O impacto das decisões do governo sobre o financiamento habitacional pode refletir a longo prazo na saúde financeira das construtoras e no acesso à moradia digna para milhões de brasileiros. Se o governo se mantiver firme em sua postura, é possível que haja uma desaceleração nas contratações e na velocidade do crescimento do setor. A perspectiva de contratar 1,5 milhão de unidades em 2027, se concretizada, pode ser um alívio, mas dependerá de um ambiente econômico favorável e de uma reavaliação das taxas de juros.
Conclusão
A combinação de declarações governamentais e movimentos do mercado ilustra um momento de incerteza para as construtoras. A manutenção dos juros do MCMV em níveis atuais pode ser um fator limitante para o crescimento do setor, o que exigirá um monitoramento atento por parte dos investidores e das autoridades. A capacidade de adaptação a essas condições poderá determinar o sucesso das empresas no competitivo mercado imobiliário brasileiro.
Fonte: www.moneytimes.com.br