O impacto do acordo EUA-Venezuela no mercado petrolífero
Os preços do petróleo caem após Trump anunciar acordo de importação com a Venezuela, gerando expectativa de aumento na oferta global.
Os preços do petróleo enfrentaram uma queda significativa nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um acordo com a Venezuela para a importação de até 50 milhões de barris de petróleo. Essa medida, que promete aumentar a oferta para o maior consumidor mundial de petróleo, foi recebida com reações variadas no mercado.
O que está por trás do acordo EUA-Venezuela?
O anúncio de Trump é parte de uma estratégia mais ampla para aliviar a pressão sobre os suprimentos de petróleo nos Estados Unidos, que enfrentam um crescimento lento na demanda. O presidente afirmou que as importações de petróleo bruto da Venezuela, no valor de US$ 2 bilhões, serão realizadas a preços de mercado. Ele enfatizou que o controle financeiro sobre esses recursos será exercido por seu governo, com a promessa de que os benefícios serão direcionados tanto para o povo venezuelano quanto para os americanos.
Essa abordagem é uma tentativa de estabilizar a economia da Venezuela, que há anos enfrenta uma crise severa, e ao mesmo tempo, ampliar as fontes de petróleo disponíveis para os EUA. A medida também pode ser vista como uma resposta à crescente pressão sobre a administração de Trump, que já havia considerado a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela caso o regime de Nicolás Maduro não se mostrasse mais cooperativo.
Implicações para o mercado global de petróleo
Os contratos futuros do Brent e do West Texas Intermediate (WTI) já mostravam sinais de fraqueza antes do anúncio e caíram ainda mais após a declaração. O Brent recuou 1,3%, enquanto o WTI caiu 1,7%, refletindo uma expectativa de oferta abundante no mercado global. Analistas estimam que a entrada de petróleo venezuelano, que é extraído a baixo custo e vendido com um desconto significativo, pode desorganizar ainda mais o mercado norte-americano.
Essa nova dinâmica pode resultar em um superávit de até 3 milhões de barris por dia no primeiro semestre de 2026, de acordo com previsões do Morgan Stanley, que apontam para um crescimento fraco na demanda e um aumento na oferta de países da Opep e de produtores fora da Opep. O impacto deste acordo também pode ser sentido em outros mercados, já que a Venezuela busca escoar petróleo que está estocado, evitando novas tensões com os EUA.
Analistas ainda alertam que, embora o acordo possa manter os preços baixos no curto prazo, a sobrevivência do regime venezuelano pode levar a um aumento nas expectativas de preço do petróleo no médio prazo. Se os Estados Unidos conseguirem garantir um fluxo constante de petróleo da Venezuela, isso pode alterar a dinâmica de preços, especialmente se a capacidade produtiva dos EUA não acompanhar esse aumento na oferta.
O cenário atual exige atenção redobrada, pois os mercados reagem rapidamente a notícias que podem mudar o equilíbrio de oferta e demanda, e a relação EUA-Venezuela continua a ser um fator crucial nesse processo.
Fonte: www.moneytimes.com.br
