Análise do desempenho e perspectivas futuras da empresa de adtech
The Trade Desk enfrenta desafios após queda acentuada em suas ações. Avaliamos se é um bom momento para comprar.
A recente queda significativa das ações da The Trade Desk, que despencaram 81% em relação ao seu auge, levanta dúvidas sobre o futuro da companhia e suas perspectivas de investimento. Apesar desse retrocesso, muitos analistas de Wall Street consideram que a empresa está subvalorizada, com um preço-alvo médio de US$ 50 por ação, sugerindo um potencial de valorização de 85% em comparação ao preço atual de aproximadamente US$ 27.
Contexto do Mercado de Adtech
The Trade Desk opera uma plataforma de demanda (DSP), um software que ajuda anunciantes a planejar, medir e otimizar campanhas publicitárias em múltiplos canais digitais. Recentemente, a empresa lançou sua versão mais atual de DSP, chamada Kokai, que utiliza inteligência artificial (IA) para gerenciar orçamentos e personalizar lances, visando otimizar a segmentação de audiências. Essa abordagem inovadora é um diferencial significativo, já que a The Trade Desk não possui conteúdo midiático, o que evita conflitos de interesse comuns em outras empresas do setor, como Alphabet, Meta Platforms e Amazon, que têm incentivos para direcionar investimentos publicitários para seus próprios ativos.
Essa independência é um ponto forte nas negociações, uma vez que permite à The Trade Desk manter um relacionamento mais transparente e confiável com editores e anunciantes. A empresa se destacou especialmente no segmento de publicidade em TV conectada (CTV) e em publicidade fora de lojas, que são algumas das áreas que mais crescem no mercado de publicidade digital.
Desafios e Concorrência
Contudo, a mudança no comportamento dos consumidores, que estão cada vez mais utilizando ferramentas de IA generativa como ChatGPT para obter respostas diretas, pode impactar negativamente os gastos com publicidade na internet aberta. Analistas da Morgan Stanley prevêem que esse crescimento deverá desacelerar significativamente, passando de cerca de 25% em 2024 para apenas 5% em 2028. Além disso, a The Trade Desk cobra taxas mais altas em comparação com alguns concorrentes, variando entre 15% a 20% do investimento publicitário, enquanto empresas como Amazon podem cobrar menos de 10%. Essa estrutura de custos, aliada ao forte crescimento de concorrentes, tem pressionado os resultados financeiros da The Trade Desk.
No último trimestre, a receita da empresa cresceu 18%, uma queda em relação ao crescimento de 27% registrado no ano anterior. Para contextualizar, aqui estão algumas das taxas de crescimento de empresas concorrentes no mesmo período:
Amazon: 24%
Meta Platforms: 26%
- AppLovin: 68%
Os anunciantes estão cada vez mais priorizando plataformas integradas, que oferecem ecossistemas fechados, devido à expectativa de maior retorno sobre o investimento. Isso ocorre em um momento em que as gigantes da tecnologia mencionadas têm mais recursos para investir em ferramentas de IA que automatizam fluxos de trabalho publicitários.
Perspectivas Futuras
Apesar das dificuldades, espera-se que os ganhos ajustados da The Trade Desk cresçam a uma taxa anual de 15% até 2027. Essa projeção torna a atual avaliação da empresa, em 15 vezes os ganhos, bastante atrativa, especialmente considerando que a empresa superou as estimativas de lucros do consenso nos últimos seis trimestres. Diante da queda acentuada das ações, alguns investidores podem ver uma oportunidade de adquirir uma posição na empresa.
Entretanto, o cenário ainda é desafiador e pode indicar que os melhores dias da The Trade Desk estão atrás dela. Essa análise é feita sob a perspectiva de um investidor que possui ações da empresa desde 2017. O futuro da The Trade Desk depende não apenas da recuperação de suas ações, mas também de como a empresa se adapta às mudanças rápidas do mercado e à concorrência crescente.
A situação atual oferece uma oportunidade de compra cautelosa, mas os investidores devem estar cientes dos riscos e das incertezas que cercam o setor de adtech.