Quem disse que o dinheiro não nasce em árvore?

 

Por Mayara Ledo

 

“Dinheiro não nasce em árvore.”

“O dinheiro é a raiz de todos os males.”

“Dinheiro não traz felicidade.”

 

Provavelmente você cresceu ouvindo algumas dessas frases, talvez ainda repita algumas delas sem perceber. Por isso, as próximas linhas são um convite.

Um convite para duvidar das histórias que contamos sobre o dinheiro.

Um convite para questionar as crenças que moldaram nossas decisões financeiras muito antes de aprendermos qualquer conceito de educação financeira. E, principalmente, um convite para ampliar a consciência sobre os filtros através dos quais enxergamos o dinheiro. Porque são esses filtros — muito mais do que imaginamos — que influenciam nossas escolhas e, consequentemente, os resultados que construímos ao longo da vida.

Falar sobre dinheiro é falar sobre a vida. É falar sobre liberdade, medo, segurança, prioridades, sonhos, família e futuro. Talvez seja exatamente por isso que um assunto tão presente no nosso cotidiano continue sendo um dos mais difíceis de abordar.

Na minha visão, isso acontece por dois motivos.

O primeiro é objetivo: A educação financeira ainda não alcançou, de forma efetiva, grande parte da população. Aprendemos fórmulas, datas e teorias, mas poucos de nós fomos ensinados a administrar recursos, avaliar riscos ou tomar decisões financeiras com consciência, nossos pais não sabiam como fazer e a educação formal também não ocupou esse papel.

O segundo é profundamente humano: cada pessoa constrói sua relação com o dinheiro a partir das próprias vivências. A infância, a família, as conquistas, as perdas e até frases aparentemente inocentes moldam a forma como enxergamos o dinheiro. E ninguém decide sobre a realidade como ela é. Decide sobre a realidade como a percebe.

É justamente aqui que proponho uma nova reflexão.

O dinheiro nasce sim em árvore!

Só não nasce da árvore que a maioria procura.

Ele não nasce do excesso de trabalho, das jornadas intermináveis, nem da obsessão por vender mais. Se assim fosse, milhões de empresários brasileiros, que trabalham de domingo a domingo, já estariam na extrema riqueza.

Há mais de 17 anos acompanho empresários dos mais diferentes setores e modelos de negócios. Nesse tempo, conheci histórias completamente distintas, mas uma motivação sempre se repetiu. Ninguém decide empreender para viver pior.

Empreendemos porque desejamos construir uma vida melhor! Mais liberdade para escolher, mais segurança para a família, acesso à saúde, educação de qualidade para os filhos, tranquilidade para o futuro e a possibilidade de transformar trabalho em patrimônio. Curiosamente, poucos resumem esse desejo dizendo simplesmente: “quero ser rico”. Talvez porque, durante muito tempo, aprendemos que desejar riqueza era sinônimo de ganância, enquanto trabalhar até a exaustão era sinal de virtude. Como consequência, muitos empresários se sentem mais confortáveis em dizer que querem crescer do que admitir que desejam enriquecer.

Não há nada de errado em querer construir riqueza. Afinal, negócios sólidos e ricos são motores de geração de riquezas pra muitos, não somente para quem os construiu, existe claramente uma grade cadeia de beneficiados: colaboradores, fornecedores, governo e sociedade.

O problema é acreditar que ela será consequência apenas do esforço.

O dinheiro nasce de outra árvore: a das decisões.

Toda decisão cria ou destrói riqueza. Um preço mal definido. Uma contratação precipitada. Um investimento sem estratégia. Um desconto concedido por impulso. Um empréstimo tomado sem cálculo. Pequenas escolhas, repetidas diariamente, determinam muito mais o destino financeiro de uma empresa e de seus donos, do que grandes acontecimentos.

A economia comportamental ajuda a explicar esse fenômeno. Nosso cérebro favorece recompensas imediatas e evita desconfortos presentes, mesmo quando isso compromete o futuro. Talvez seja por isso que tantas empresas faturam bem, mas vivem sem caixa. Crescem em receita e empobrecem em patrimônio.

Na maioria das vezes, o problema não é a falta de informação de quem as conduz. É confusão entre movimento e progresso, faturamento com riqueza,  coragem com improviso.

É a qualidade das decisões!

Talvez seja hora de atualizarmos aquele velho ensinamento.

O dinheiro realmente não nasce em qualquer árvore.

Ele floresce na árvore das decisões. Decisões conscientes, repetidas ao longo do tempo, transformam trabalho em riqueza, lucro em patrimônio e empresas em geradoras de riqueza sustentável com impacto positivo e transformador na vida de muitos.

Ah! Quem foi que disse que dinheiro não nasce em árvore?

 

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