Raízen (RAIZ4): Decisões da gestão que intensificaram a crise

Entenda como ações recentes contribuíram para a deterioração da companhia

Análise das decisões da gestão da Raízen que aprofundaram sua crise financeira.

A Raízen (RAIZ4) tem enfrentado um momento crítico em sua trajetória financeira, marcada por decisões da atual gestão que, segundo especialistas, aprofundaram sua crise. Desde sua estreia na bolsa, em meio a um boom de ofertas públicas iniciais (IPOs) em 2021, a empresa, que se propunha a liderar a revolução dos combustíveis verdes, viu seu valor de mercado despencar de R$ 76 bilhões para meros R$ 0,84 por ação, representando uma queda de 89%.

A Crise da Raízen e Suas Causas

O cenário desfavorável da Raízen é atribuído a uma combinação de fatores, incluindo a diminuição do apetite global por investimentos em temas ambientais, sociais e de governança (ESG) e a competição crescente do etanol de milho, que se apresenta como uma alternativa mais barata. Em um contexto de alta de juros, com a Selic saltando de 11,25% para 15%, a companhia acumulou uma dívida líquida astronômica de R$ 53,4 bilhões, com uma alavancagem alarmante de 5,1 vezes no último balanço.

Em dezembro de 2024, a Raízen iniciou um processo de reestruturação, focando na redução da alavancagem e na troca de comando, trazendo Nelson Gomes para o CEO. No entanto, a falta de confiança do mercado e dos investidores persiste, trazendo incertezas sobre a capacidade da empresa de realizar uma reviravolta significativa em sua sorte.

Decisões Que Pesaram

A análise de fontes internas aponta para duas decisões cruciais da nova gestão que contribuíram para o agravamento da situação financeira da Raízen.

A primeira foi a extinção da área de trading, historicamente vista como um dos principais ativos da companhia. Essa decisão se deu em um esforço para cortar custos, mas, segundo analistas, representa um erro estratégico grave. A Raízen, ao ser simultaneamente produtora e compradora, tinha um papel ativo no mercado de commodities. O fechamento da área de trading eliminou uma fonte significativa de receita e valor, especialmente em tempos de volatilidade de mercado.

A segunda decisão controversa envolveu a eliminação do risco sacado, uma estratégia que permitia à empresa postergar pagamentos a fornecedores. A gestão atual, receosa de implicações fiscais, optou por pagar à vista, o que aumentou automaticamente sua dívida, gerando um impacto negativo no fluxo de caixa.

O Futuro da Raízen

As consequências dessas decisões são amplas. A Raízen não só enfrenta um aumento da dívida, mas também uma percepção negativa no mercado que dificulta a atração de novos investimentos. Há uma urgência em encontrar um novo sócio ou parceiro estratégico, mas a dúvida persiste: quem estaria disposto a adquirir uma companhia nesse estado?

Além disso, a venda de ativos e de usinas, embora aparente uma solução de curto prazo, pode comprometer a capacidade da Raízen de se sustentar em um cenário de mercado cada vez mais competitivo. A lógica de desinvestir em segmentos mais voláteis pode reduzir riscos, mas ao mesmo tempo sinaliza uma falta de convicção em relação ao crescimento futuro, especialmente em projetos inovadores como o etanol de segunda geração.

Conclusão

Diante deste panorama, a Raízen enfrenta um desafio monumental: reverter a maré de desconfiança gerada por decisões gerenciais que, até agora, parecem ter contribuído mais para a crise do que para a recuperação. O caminho à frente não é apenas sobre cortar custos, mas sobre reconstruir a confiança do mercado e reposicionar a companhia em um setor em constante evolução.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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