Reforma tributária 2026 muda regras fiscais para logística no Brasil

Aleksandar Littlewolf/Freepik

Novos impostos IBS e CBS exigem adaptação operacional das empresas de transporte e logística

Reforma tributária 2026 impõe reestruturação fiscal às empresas logísticas, com novos impostos IBS e CBS alterando custos e contratos.

A reforma tributária 2026 representa uma transformação profunda na tributação aplicada às empresas de logística e transporte no Brasil, com a substituição do atual conjunto de tributos por dois novos impostos: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal.

Mudanças no sistema tributário para logística

O IBS unifica o ICMS e o ISS, impostos que antes incidiam de forma diferenciada conforme a natureza e localização da operação de transporte. Por sua vez, a CBS substitui o PIS e Cofins, tributos federais que atualmente incidem em toda a cadeia logística.

Essa reestruturação altera a lógica tributária, que hoje varia entre operações municipais, interestaduais e intermunicipais, com diferentes direitos a créditos fiscais e impactos diretos sobre o custo do frete. A unificação tende a simplificar, mas também exige uma reorganização profunda dos processos fiscais das empresas.

Impactos para empresas de transporte e logística

Para empresas como a Tragetta, divisão de transporte do Grupo FEMSA, liderada pelo head financeiro Rodrigo Santos, o desafio vai além da simples substituição de impostos. “O transporte convive hoje com diferentes tributações conforme o tipo de operação e a localidade. Com o IBS e a CBS, essa lógica muda completamente, o que exige uma reorganização fiscal profunda”, destaca.

Essa mudança obriga uma revisão ampla dos modelos de custo, contratos comerciais e planejamento financeiro. A precificação do frete, diretamente influenciada pela carga tributária, terá que ser recalculada para manter margens e competitividade no mercado.

Pressão crescente sobre custos logísticos

Dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) indicam que, em 2023, os custos logísticos no Brasil chegaram a 18,4% do Produto Interno Bruto (PIB), atingindo o maior nível da série histórica. O transporte representa cerca de 9,3% do PIB, seguido por custos com estoques, armazenagem e despesas administrativas.

Esse cenário torna a adaptação à reforma ainda mais urgente, já que o setor enfrenta desafios para conter despesas e otimizar operações.

Transição e desafios operacionais

Até 2033, o sistema tributário atual coexistirá com o novo modelo, o que aumenta a complexidade da gestão fiscal no curto e médio prazo. A logística, atuando em fluxos interestaduais e integrando múltiplos elos produtivos, está entre os setores mais expostos a essa sobreposição de regimes.

Rodrigo Santos ressalta que “o impacto da reforma estará menos relacionado à alíquota e mais à capacidade das empresas de organizar informações, automatizar processos e fortalecer o planejamento financeiro”.

Investimentos em tecnologia e governança

Para enfrentar a nova realidade, as empresas precisarão investir em governança fiscal, sistemas integrados de gestão e automação de dados. A capacidade de antecipar cenários e garantir previsibilidade fiscal será um diferencial competitivo fundamental para reduzir riscos e aumentar eficiência operacional durante a transição.

Com a reforma tributária 2026, o setor de logística no Brasil inicia um processo de transformação que exigirá adaptação estratégica e operacional, buscando manter a sustentabilidade econômica em meio a uma nova configuração fiscal.

Fonte: brazileconomy.com.br

Fonte: Aleksandar Littlewolf/Freepik

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