Rei Charles 3º inicia turnê no Caribe sob pressão por escravidão e reparações

O rei Charles 3º iniciou uma turnê oficial de nove dias pelo Caribe, com passagens pelas Bahamas, Guiana e Antígua e Barbuda até a próxima quarta-feira (4/11). A viagem tem como objetivo principal a participação do monarca na Reunião de Chefes do Governo da Commonwealth, aliança voluntária que reúne atualmente 56 nações.

Especialistas em realeza classificam o giro como o mais delicado do reinado até agora. Antes de o rei de 77 anos chegar às Bahamas, na terça-feira (26/10), a correspondente de assuntos da família real Rebecca Russell escreveu que ele estava prestes a embarcar em sua viagem mais arriscada do ponto de vista diplomático. O historiador Anthony Seldon, em entrevista à BBC, afirmou que temas como escravidão, reparações e pedidos de desculpa colocam em xeque a integridade moral da monarquia britânica.

Líderes caribenhos, entre eles o presidente da Guiana, Mohamed Irfaan Ali, e autoridades da Commonwealth, cobram desculpas formais e compensação financeira do Reino Unido pelo comércio transatlântico de escravos e pela exploração colonial. Rebecca Russell observou que Charles, por ser monarca institucional, está impedido de oferecer um pedido oficial de desculpas em nome do Estado ou de tratar de reparações financeiras, que permanecem sob responsabilidade do governo britânico. O governo do Reino Unido se recusou a pagar qualquer quantia.

O principal discurso do rei ocorreu na terça-feira no Clifford Park, em Nassau, nas Bahamas. Charles declarou ser justo reconhecer o grande sofrimento do passado nas ilhas e em outros lugares, ao mesmo tempo que se regozijava com os sucessos do presente e a construção de novas oportunidades para o futuro. Ele também disse sentir enorme esperança ao ver gerações de bahamenses carregando a história, o legado e a promessa transmitidos por seus ancestrais, com orgulho e propósito.

Assessores do Palácio de Buckingham estão receosos com a viagem, segundo os especialistas, e trabalham para evitar o que ocorreu durante a turnê do príncipe William e de Kate Middleton pela região em 2022, quando o tour foi amplamente criticado devido ao legado colonial e transformado em um desastre diplomático e de relações públicas.

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