Relações entre Trump e Jamie Dimon, chefe do JP Morgan, atingem ponto crítico

Michael Reynolds/EPA

Disputa bilionária marca fim do relacionamento entre ex-presidente dos EUA e líder bancário

Relações entre Trump e Jamie Dimon, chefe do JP Morgan, pioram após processo bilionário por fechamento de contas bancárias.

A relação entre Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, e Jamie Dimon, presidente e CEO do JP Morgan – o maior banco americano –, alcançou um ponto crítico em janeiro de 2026, com o início de um processo judicial no valor de 5 bilhões de dólares movido por Trump contra o banco e seu líder. A ação alega que o JP Morgan fechou suas contas bancárias por motivos políticos após os tumultos no Capitólio em janeiro de 2021, acusação rejeitada pela instituição financeira.

Tensão crescente entre Trump e Jamie Dimon

Desde a surpreendente eleição de Trump em 2016, Jamie Dimon figurava entre os principais líderes empresariais que buscaram se aproximar do novo governo. Apesar de ser um democrata histórico, Dimon chegou a ser cotado para assumir o Departamento do Tesouro, oferta que recusou. Inicialmente, a relação entre os dois era cordial, com Dimon demonstrando otimismo e disposição para colaborar com o governo.

Porém, divergências começaram a surgir: em 2017, Dimon desaprovou publicamente a decisão de Trump de retirar os EUA do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e condenou o silêncio do presidente diante do ataque de supremacistas brancos em Charlottesville. Essas posições desencadearam a dissolução do conselho consultivo empresarial criado por Trump, do qual Dimon fazia parte.

Desentendimentos públicos e acusações mútuas

Em 2018, a relação azedou ainda mais quando Dimon afirmou que poderia vencer Trump em uma eleição presidencial, destacando suas próprias conquistas financeiras como mérito. Trump respondeu com críticas à capacidade e desempenho do executivo, intensificando a animosidade entre os dois.

Apesar das tensões, Dimon chegou a elogiar cortes de impostos e negociações comerciais do governo Trump, mostrando que havia algum terreno comum. No entanto, os eventos de 6 de janeiro de 2021, quando manifestantes invadiram o Capitólio, foram um divisor de águas. JP Morgan fechou as contas vinculadas a Trump, justificando a decisão com riscos legais e regulatórios, o que motivou o processo bilionário do ex-presidente.

Conflitos atuais e impacto no mercado

A contenda se aprofundou durante a segunda tentativa de Trump à presidência, com o ex-presidente criticando Dimon por apoiar outra candidata republicana não alinhada ao movimento MAGA. Recentemente, Dimon manifestou apoio público ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, criticando a investigação criminal iniciada pelo Departamento de Justiça contra Powell, o que Trump classificou como um erro.

Além disso, Dimon se posicionou contra propostas como o teto de 10% em juros de cartão de crédito, qualificando a medida como um possível “desastre econômico”. O executivo também alertou para os riscos sociais associados à inteligência artificial, ressaltando um cenário de instabilidade.

Reflexões sobre a confiabilidade e futuro

Em evento no Fórum Econômico Mundial em Davos, Jamie Dimon comentou que os EUA se tornaram menos confiáveis sob a administração Trump, sugerindo um declínio na estabilidade e previsibilidade do país. No mesmo contexto, Trump formalizou sua ação judicial contra JP Morgan, marcando um capítulo tenso e complexo na relação entre política e setor financeiro americano.

Este episódio simboliza não apenas o desgaste pessoal entre duas figuras influentes, mas também os desafios enfrentados por instituições financeiras diante de pressões políticas e sociais nos Estados Unidos. A situação pode afetar negociações futuras, regulações bancárias e o ambiente empresarial no país nas próximas temporadas.

Fonte: www.theguardian.com

Fonte: Michael Reynolds/EPA

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