Relatos de abusos físicos e psicológicos marcam experiência de ex-membro do Opus Dei

Enrique Mackenzie, ex-integrante da instituição da Igreja Católica Opus Dei, revelou ter enfrentado experiências traumáticas durante sua permanência no grupo. Ele descreve uma rotina estrita, marcada por castigos físicos e psicológicos, que incluíam longas horas de oração e sacrifícios pessoais.

Mackenzie contou que entre os costumes do Opus Dei estavam as chamadas mortificações corporais. Ele mencionou o uso de um cilício, um dispositivo com pontas que se amarra na perna e deve ser utilizado por duas horas diariamente. Além disso, os membros do grupo utilizavam um chicote durante as orações, sendo obrigados a se automutilar uma vez por semana, como parte das regras da organização.

No site do Opus Dei, a prática de mortificações é apresentada como uma tradição milenar da Igreja Católica, alegando que muitos santos adotaram tais práticas. A descrição institucional do cilício enfatiza que ele é desconfortável, mas não causaria danos físicos severos, como sangramentos.

Mackenzie, no entanto, relatou que além dos castigos físicos, também sofreu pressão psicológica, especialmente após ser identificado como homossexual. Ele revelou que a homossexualidade era considerada pela organização como uma doença que precisava ser “tratada”. Após não responder ao tratamento psiquiátrico imposto, foi expulso do grupo.

“Aos 14 anos, descobri que gostava de homens e eles enxergavam isso como uma doença mental. Quando perceberam que eu não me curava, me enviaram a um psiquiatra da própria organização, que me submeteu a uma terapia inadequada”, explicou Mackenzie. Ele comentou sobre os medicamentos fortes que recebeu, que não surtiram efeito, levando à sua expulsão.

Após deixar o Opus Dei, Mackenzie passou cerca de sete anos em terapia para aceitar sua identidade sexual. A experiência de vida de Enrique é parte de uma série documental chamada “O Bom Espírito: Por Detrás das Portas do Opus Dei”, disponível na HBO Max. A produção apresenta relatos de 14 homens que compartilham suas vivências de abusos espirituais, psicológicos e econômicos dentro da organização.

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