Renda fixa atrelada ao IPCA ganha espaço com queda dos juros em 2026

CDBs, CRIs e CRAs despertam interesse diante do ciclo de flexibilização monetária e cenário fiscal incerto

Com a queda dos juros prevista para 2026, a renda fixa atrelada ao IPCA se destaca como opção vantajosa para investidores, combinando proteção e potencial de valorização.

O ano de 2026 marca o início de um ciclo de queda dos juros no Brasil, trazendo mudanças relevantes para a renda fixa, especialmente nos ativos atrelados ao IPCA, como CDBs, CRIs e CRAs.

Cenário macroeconômico e perspectivas para 2026

Especialistas e gestores apontam que a desaceleração da atividade econômica e a melhora gradual das expectativas de inflação são os principais motivadores para os cortes da Selic a partir do primeiro trimestre. Contudo, o ritmo e a extensão desses cortes dependem diretamente do cenário fiscal e político, ainda marcado por incertezas.

Alexandre Cancherini, sócio da Galapagos Capital, destaca que, diferentemente de 2025, 2026 será caracterizado por flexibilização monetária com moderação econômica e reancoragem das expectativas inflacionárias. Essa retomada de credibilidade fiscal cria oportunidades para títulos que oferecem juros reais elevados e proteção contra a inflação.

Tendências nas estratégias de renda fixa

Os gestores indicam preferência por títulos indexados ao IPCA, especialmente em prazos intermediários, que equilibram rentabilidade e sensibilidade à curva de juros.

Na Nest Asset Management, o economista Rodrigo Marques enfatiza que os pós-fixados continuam importantes para liquidez e mitigação de riscos, mesmo com a perspectiva de queda dos juros. Ainda assim, o IPCA+ é considerado atrativo, oferecendo retorno real superior a 7% ao ano com proteção contra pressões inflacionárias.

Já a Empiricus recomenda CDBs IPCA+ com prazos entre três e cinco anos, enquanto os prefixados ficam restritos a vencimentos curtos, visando reduzir exposição à volatilidade.

Impactos no crédito privado e preferências setoriais

No mercado de crédito privado, a queda da Selic tende a reduzir o risco de crédito ao melhorar as condições financeiras das empresas, segundo Cancherini. Contudo, o carry dos títulos depende do spread contratado.

Os CDBs permanecem competitivos no início do ano, mas gradualmente perdem atratividade frente a outras opções da renda fixa, à medida que o CDI oferece rendimento básico sem potencial de valorização na marcação a mercado.

Nos CRIs e CRAs, a escolha dos ativos requer atenção à combinação entre setor, originador e estrutura, com foco especial em garantias e regras contratuais que justifiquem o prêmio pago.

Lucas Constantino, da GCB, destaca que a infraestrutura é o setor mais resiliente para 2026, beneficiado por incentivos regulatórios e demanda estrutural. O setor imobiliário deve responder rapidamente à queda dos juros, enquanto o agronegócio enfrenta desafios ligados à recuperação judicial e custo elevado do capital.

Rebalanceamento e gestão de carteiras

O consenso entre gestores é que 2026 exigirá maior rigor na seleção dos ativos e construção equilibrada de carteiras, priorizando IPCA+ em prazos intermediários, uso tático de prefixados curtos e manutenção dos pós-fixados para liquidez e controle de risco.

Essa abordagem reflete a mudança de foco da busca exclusiva por taxa para uma visão mais ampla, que considera proteção contra inflação, volatilidade política e riscos fiscais.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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