Renda fixa atrai R$ 75,3 bilhões em janeiro, mas multimercados se destacam

Captação robusta no início do ano reflete mudanças no perfil do investidor

A indústria de fundos registrou captação líquida de R$ 75,3 bilhões em janeiro, com destaque para a renda fixa e os multimercados.

Janeiro de 2026 começou com uma demonstração clara do comportamento do investidor brasileiro: o capital não ficou estagnado durante as férias. A indústria de fundos reportou uma captação líquida impressionante de R$ 75,3 bilhões, uma das mais significativas nos últimos meses. Este resultado foi influenciado principalmente pela renda fixa, mas os fundos multimercados também conseguiram se destacar, conforme revelado em um levantamento da Anbima.

A Dominância da Renda Fixa

No mês de janeiro, a classe de renda fixa se destacou, captando R$ 57,4 bilhões, o que representa mais de 75% do total de captação na indústria. Entre os vários tipos de fundos, o Duração Baixa Grau de Investimento foi o mais relevante, atraindo R$ 48,4 bilhões em aportes. Esses fundos são compostos majoritariamente por títulos de crédito privado de risco reduzido e com vencimentos curtos, como debêntures e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) com alta classificação de risco.

Por outro lado, o fundo Duração Livre Crédito Livre, que oferece mais flexibilidade para gestão de carteiras, também teve um desempenho positivo com R$ 9,6 bilhões em captação. Em contraste, o Duração Baixa Soberano, que é centrado em títulos públicos federais, sofreu uma saída líquida de R$ 14 bilhões, sugerindo uma possível mudança na estratégia dos investidores em busca de maior exposição ao crédito privado.

O Crescimento dos Fundos Multimercados

Além da renda fixa, janeiro trouxe uma renovação no interesse pelos fundos multimercados, que registraram uma captação líquida de R$ 17,3 bilhões, o melhor resultado desde junho de 2021. O tipo Investimentos no Exterior, que possui o maior patrimônio na classe, conseguiu captar R$ 11 bilhões, enquanto o tipo Livre somou R$ 6,1 bilhões. As rentabilidades desses fundos foram de 1,32% e 1,84%, respectivamente, o que evidencia a crescente confiança dos investidores.

O Desempenho das Ações

Ao contrário da tendência observada nas classes de renda fixa e multimercados, a classe de ações enfrentou um período desafiador. Os fundos Ações Livre tiveram uma saída líquida de R$ 1,3 bilhão, enquanto os Ações no Exterior mostraram uma leve entrada de R$ 513 milhões. No total do ano, os fundos de ações acumularam resgates líquidos de R$ 2,4 bilhões. Apesar do saldo negativo, o desempenho em termos de rentabilidade na categoria foi notável, com variações entre 4,36% e 16,19%, tendo o tipo Mono Ação como o maior ganhador, avançando 6,98% apenas em janeiro.

O Futuro do Investidor Brasileiro

O panorama de janeiro sugere que os investidores brasileiros estão ainda embasados na renda fixa, mas gradativamente mais abertos a diversificar suas carteiras, especialmente através de fundos multimercados e investimentos no exterior. Essa mudança de comportamento pode sinalizar uma nova fase no mercado financeiro, onde a busca por rentabilidade e proteção contra a inflação será cada vez mais prevalente entre os gestores de fundos e investidores individuais.

Com um cenário econômico volátil, a disposição em diversificar as estratégias de investimento pode ser um indicativo positivo para o mercado de capitais, especialmente à medida que as taxas de juros começam a se ajustar. O futuro próximo pode trazer novas oportunidades e desafios, requerendo que tanto investidores quanto gestores de fundos permaneçam atentos às dinâmicas do mercado.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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