Líderes republicanos criticam plano de Trump e destacam oposição popular e aliados internacionais
Republicanos no Congresso dos EUA criticam a ideia de Donald Trump de assumir controle da Groenlândia, citando riscos diplomáticos e oposição popular.
A recente retomada do interesse do presidente Donald Trump em assumir o controle da Groenlândia provocou uma notável divergência dentro da ala republicana do Congresso dos Estados Unidos. Apesar da tradição de alinhamento com o presidente, vários congressistas manifestaram críticas contundentes à ideia, destacando os riscos diplomáticos e a rejeição da população americana ao plano.
Pressão e críticas de membros do Partido Republicano
O senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, classificou a possibilidade de os EUA apropriarem-se da Groenlândia como “absurda” durante discurso no Senado, ressaltando que o povo groenlandês sempre foi favorável à presença americana, mas considera inaceitável essa mudança de postura. Já o congressista Don Bacon, de Nebraska, alertou que continuar com a ideia poderia significar o fim da presidência de Trump, enfatizando que o partido não tolerará tal medida.
Mitch McConnell, ex-líder dos republicanos no Senado, fez uma comparação entre a proposta de Trump e a retirada dos EUA do Afeganistão em 2021, apontando que a anexação da Groenlândia causaria um dano maior à imagem do presidente, ao destruir a confiança dos aliados históricos para ganhos estratégicos mínimos.
Reação internacional e presença militar reforçada
A escalada do interesse americano pela ilha gerou preocupações na Europa, levando à chegada de tropas de França, Alemanha, Reino Unido, Noruega e Suécia à Groenlândia como demonstração política e avaliação para possíveis futuras operações militares. Essa movimentação revela a sensibilidade do tema em âmbito internacional, especialmente para países ligados à Dinamarca e à Nato.
A posição da Groenlândia e da Dinamarca
Em reunião realizada com Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, representantes da Groenlândia e da Dinamarca manifestaram-se firmemente contrários à demanda americana, mas sem conseguir alterar a postura do presidente, que mantém a justificativa de segurança nacional para a necessidade de controle da ilha.
Divisão interna e ameaças de retaliação
Embora a maioria dos republicanos mantenha alinhamento com Trump, algumas vozes importantes, como a senadora Lisa Murkowski, do Alasca, sublinham a importância de tratar a Groenlândia como um aliado, não como um ativo a ser adquirido. Outros congressistas próximos ao presidente expressam desconforto com o impacto potencial da campanha na relação com a Nato.
Trump chegou a ameaçar impor tarifas a países que se posicionem contra seus planos, enquanto mantém pressão sobre membros do próprio partido, como evidenciado pela disputa recente sobre uma resolução que limitaria ações militares contra a Venezuela.
A controvérsia em torno da Groenlândia expõe fissuras dentro do Partido Republicano e chama atenção para os desafios geopolíticos e diplomáticos de políticas expansionistas em um contexto internacional complexo e sensível.
Fonte: www.theguardian.com
Fonte: Anadolu/Getty Images
