Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, um dos três instrutores detidos sob acusação de homicídio doloso pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo, declarou à polícia que o ocorrido foi uma "fatalidade".
Em um depoimento à delegada Andrea Dantas Levy, que conduziu o flagrante dos envolvidos, Egoroff foi ouvido por cerca de sete minutos e meio. Ao ser questionado sobre as acusações de homicídio, ele afirmou: "Então, a gente está nessa prática há um tempo e, tipo, hoje, foi uma fatalidade. A gente não consegue entender o que aconteceu".
Além de Egoroff, também estão presos Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27. Os três aparecem em gravações que registraram o momento em que Maria Eduarda foi erguida e arremessada da ponte, que possui aproximadamente 40 metros de altura.
Na audiência de custódia, o juiz Paulo Henrique Stahlberg Natal decidiu pela manutenção das prisões. Em sua decisão, ressaltou que os suspeitos atuavam em uma atividade de elevado risco, realizada "sem observância dos protocolos elementares de segurança". O magistrado ainda destacou que os vídeos apresentados no processo demonstram, "de forma inequívoca", que a vítima foi arremessada "sem qualquer proteção".
Após o acidente, Egoroff relatou que desceu até o local onde Maria Eduarda estava para prestar socorro. Ele explicou: "Eu desci, desci de rapel". Em seguida, acrescentou: "Tipo assim, eu estava na ponte, desci lá embaixo e tinha uma enfermeira fazendo RCP [manobra de emergência em casos de Parada Cardiorrespiratória]. Aí o resgate chegou e eu subi [para o alto da ponte]".
Durante o interrogatório, a delegada questionou se houve checagem nos saltos anteriores. O instrutor confirmou que os procedimentos foram realizados, mas expressou confusão sobre o que ocorreu com a jovem: "Sim, fez [inspeção e fiscalização nos pulos anteriores]. No dela estamos sem entender até agora".