O que está em jogo na conferência sobre minerais críticos em Washington
A conferência sobre minerais críticos em Washington reúne líderes mundiais com foco na diversificação de suprimentos e segurança econômica.
A conferência sobre minerais críticos, que ocorre em Washington, DC, nesta semana, tem como foco a segurança e diversificação dos estoques de minerais essenciais para a indústria de defesa e o desenvolvimento de tecnologias avançadas, como a inteligência artificial. Com uma agenda que inclui a proposta de um preço mínimo para os minerais críticos, diversas nações estão em busca de garantir seus interesses diante do domínio da China sobre a cadeia de suprimentos desses recursos.
A Importância dos Minerais Críticos
Os minerais críticos são aqueles não combustíveis, utilizados na fabricação de produtos tecnológicos como baterias, semiconductores e equipamentos de defesa. O Departamento de Estado dos EUA classifica esses minerais como essenciais para a segurança econômica e nacional, destacando 12 minerais dos quais o país é 100% dependente de importações. Entre os mais notáveis estão o níquel, cobalto, lítio e elementos de terras raras, como neodímio e lantânio. Com a China dominando 60% das reservas globais e processando 90% da oferta, há uma crescente preocupação com a vulnerabilidade desses suprimentos.
Detalhes da Conferência e Participantes
Durante a conferência, que marca o início da nova iniciativa ministerial sobre minerais críticos dos EUA, mais de 50 países estão representados, incluindo os membros do G7 e da União Europeia. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, está liderando os encontros e, em reuniões bilaterais, discutiu com ministros de Relações Exteriores da Coreia do Sul e da Índia a importância de diversificar as cadeias de suprimentos de minerais críticos. A reunião principal ocorrerá na quarta-feira, onde se espera que sejam discutidas as propostas para a criação de um preço mínimo, uma medida que visa estabilizar o mercado e garantir o interesse de investidores.
Impacto Global e Futuro
O domínio da China sobre os minerais críticos tem levado outros países a intensificarem seus próprios projetos de mineração e processamento. A Austrália, que possui a quarta maior reserva de terras raras do mundo, está se posicionando como uma alternativa ao controle chinês. A recente assinatura de um acordo entre o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, e Trump, que facilitará o acesso dos EUA aos minerais australianos, é um passo significativo nesse sentido. Contudo, especialistas alertam que as reservas australianas, embora grandes, ainda são ínfimas em comparação às da China.
Além disso, iniciativas de estoque de minerais críticos estão se espalhando globalmente. O Japão e a Coreia do Sul, por exemplo, já implementaram estratégias para garantir o abastecimento desses recursos essenciais. Com a crescente tensão nas relações comerciais com a China, a conferência de Washington surge como uma oportunidade crucial para que os EUA solidifiquem alianças e estabeleçam políticas que garantam o acesso seguro a minerais críticos, enquanto se preparam para uma possível reestruturação das cadeias de suprimento que reduza a dependência da China.
Conclusão
A conferência sobre minerais críticos liderada por Donald Trump não é apenas um encontro, mas um marco estratégico no combate ao monopólio chinês sobre a indústria de minerais essenciais. O resultado das discussões pode moldar o futuro das relações econômicas e estratégicas entre os países participantes, levantando a bandeira da diversificação e segurança nacional. A atenção agora se volta para as decisões que serão tomadas e suas repercussões globais.
Fonte: www.aljazeera.com