Fim de um pacto nuclear histórico entre as potências globais
Rússia declara encerradas as obrigações do acordo New START, culpando os EUA pela situação.
Rússia anula obrigações do acordo New START
A Rússia declarou neste 4 de fevereiro de 2026 que considera encerradas todas as suas obrigações sob o tratado New START, um acordo nuclear crucial assinado com os Estados Unidos em 2010. Este tratado, que entrou em vigor em 2011, impunha limites rigorosos aos arsenais nucleares das duas potências, estabelecendo um teto de 1.550 ogivas nucleares por país e limitando os mísseis balísticos intercontinentais e bombardeiros a 700 unidades. O fim do New START, programado para ocorrer oficialmente em 5 de fevereiro de 2026, marca a primeira vez desde 1972 que não há limitações legais sobre os arsenais nucleares das duas maiores potências do mundo.
O contexto do New START
O New START foi um marco na diplomacia nuclear, sendo visto como um passo significativo para a redução das tensões da Guerra Fria. Prorrogado em 2021, ele buscou não apenas a contenção do armamento, mas também a construção de um ambiente de previsibilidade estratégica entre Moscou e Washington. O tratado incluía inspeções mútuas e um diálogo contínuo sobre segurança, fatores que contribuíram para a estabilidade global durante uma época marcada por incertezas.
Entretanto, o Kremlin acusa os EUA de ações desestabilizadoras, particularmente na área de defesa antimíssil, que, segundo Moscou, quebram o equilíbrio estratégico que o tratado pretendia preservar. O atual governo americano, sob a administração de Joe Biden, também é alvo de críticas por não ter respondido a propostas russas para uma autolimitação voluntária dos arsenais, o que, segundo a Rússia, demonstra uma falta de comprometimento com a segurança mútua.
Detalhes sobre o fim do acordo
A declaração russa enfatiza que a responsabilidade pelo colapso do New START recai sobre Washington. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a mudança na dinâmica de segurança provocada pelas políticas americanas impossibilitou a implementação plena do tratado. Além disso, o Kremlin expressou que está preparado para adotar medidas técnico-militares decisivas em resposta a novas ameaças à segurança nacional, indicando um aumento na tensão militar entre os dois países.
Dmitry Medvedev, ex-presidente da Rússia, alertou que o fim do New START pode precipitar uma nova corrida armamentista, uma preocupação que ecoa entre analistas de segurança global. A falta de limites formais pode levar a um aumento nos investimentos em armamentos nucleares e a um clima de desconfiança crescente, o que poderia desestabilizar ainda mais a segurança internacional.
Implicações para o futuro
Com o término do New START, as consequências para a segurança global são profundas. A ausência de um tratado que limite os arsenais nucleares das duas superpotências pode resultar em uma escalada do armamento nuclear, não apenas entre EUA e Rússia, mas também influenciar outras nações que já possuem ou aspiram ter capacidade nuclear. A falta de diálogo e acordos formais pode provocar um ciclo vicioso de desconfiança, levando a um aumento das tensões geopolíticas.
Conclusão
O fim do acordo New START representa um marco significativo nas relações entre EUA e Rússia, sinalizando uma nova era de incertezas no domínio nuclear. Com a possibilidade de uma nova corrida armamentista no horizonte, a comunidade internacional deve observar atentamente os desdobramentos dessa decisão e suas implicações para a segurança global.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Andrew Harnik/Getty Images