A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, dois dias depois de ser derrotado no segundo turno pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), abriu uma disputa interna na direita sobre quem comandará a oposição. Flávio partiu na terça-feira (27) acompanhado da esposa e das duas filhas.
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é apontado por aliados da família Bolsonaro e por integrantes do Centrão como o nome mais bem posicionado para ocupar esse espaço. No mesmo dia da saída do senador, Tarcísio divulgou um vídeo em que reconheceu a vitória de Lula, mas criticou o que chamou de excessos durante a campanha, como uso da máquina pública e interferência do Judiciário.
Segundo apuração da analista de política Jussara Soares, interlocutores do clã e pessoas próximas ao governador avaliam que a ausência de Flávio fortalece Tarcísio como principal voz oposicionista. Com Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e os filhos Flávio e Eduardo fora do país, Carlos Bolsonaro, eleito senador por Santa Catarina, e Michelle Bolsonaro, senadora eleita pelo Distrito Federal, são vistos com ressalvas por parte do grupo. Carlos é descrito como avesso à articulação política, enquanto Michelle tem apoio do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, mas enfrenta resistência dos filhos do ex-presidente.
Ainda conforme relatos, Tarcísio sinalizou a aliados desde a noite de domingo (25) que pretende trabalhar para liderar a oposição, mirando a disputa presidencial de 2030. Ele teria dito que estará livre para concorrer ao fim do segundo mandato, mas que outros nomes da direita podem surgir até lá. O governador também pretende se posicionar como porta-voz dos setores produtivos de São Paulo nos debates econômicos nacionais e não tem planos de deixar o Republicanos rumo ao PL.
Para o analista de política Pedro Venceslau, a saída do senador abriu espaço para uma direita não bolsonarista. Além de Tarcísio, o dirigente do Missão, Renan Santos, já admitiu que pode disputar novamente a Presidência em 2030. Aliados avaliam que o sentimento antibolsonarista pesou nas duas últimas eleições presidenciais, em que um membro da família Bolsonaro perdeu para Lula.