Sanepar opta por não participar da privatização da Copasa após falta de parcerias

A Sanepar, empresa de saneamento do Paraná, decidiu não participar da privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais). A informação foi confirmada na última segunda-feira (1º), após a estatal paranaense não conseguir estruturar uma parceria que permitisse sua entrada no processo de controle da empresa mineira.

Em entrevista anterior à CNN, Wilson Bley, presidente da Sanepar, havia mencionado que a decisão de ingressar na disputa dependeria da formação de um consórcio de investidores e de análises detalhadas sobre os riscos e as oportunidades envolvidas na operação. Bley enfatizou que a participação da Sanepar seria considerada com cautela, e apenas ao lado de parceiros estratégicos. Ele ressaltou que a companhia possui uma capacidade técnica comprovada, que poderia ser utilizada para trazer benefícios à privatização.

O executivo também comentou sobre as recentes mudanças promovidas pelo governo de Minas Gerais em relação ao cronograma e às condições da oferta, que exigiram novas análises por parte dos potenciais investidores. Essas alterações têm gerado um clima de incerteza em torno do processo de privatização.

Atualmente, o modelo de privatização da Copasa, que inclui a venda de parte das ações do estado através de uma oferta pública secundária na B3, enfrenta questionamentos. O investidor de referência poderá adquirir até 30% da companhia, assumindo seu controle, enquanto o governo mineiro manterá poderes de veto em decisões estratégicas.

Na semana passada, o governo estadual definiu o preço mínimo da oferta em R$ 47,23 por ação. A precificação final está programada para o dia 11 de junho, com a liquidação da operação marcada para 16 de junho. No entanto, o modelo tem sido alvo de críticas, principalmente do Sindágua-MG (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais), que aponta que as propostas apresentadas até agora podem indicar uma defasagem de aproximadamente R$ 3,1 bilhões em relação ao valor que a companhia poderia alcançar, de acordo com as projeções de mercado.

Além disso, especialistas levantam dúvidas sobre a estrutura da operação, especialmente após o adiamento de etapas do processo e a diminuição do número de potenciais interessados. O governo tinha a expectativa inicial de atrair um número maior de participantes, o que poderia aumentar a concorrência e, consequentemente, o valor arrecadado na privatização.

PUBLICIDADE

VIDEOS

Relacionadas: