Constelação de satélites Leo da Amazon apresenta brilho capaz de interferir em observações científicas do céu noturno
Satélites de internet da Amazon em órbita baixa são brilhantes o suficiente para causar interferências em pesquisas astronômicas, revela estudo recente.
Os satélites de internet da Amazon, que compõem a constelação Leo em órbita terrestre baixa (LEO), estão brilhantes o suficiente para interferir em pesquisas astronômicas, segundo estudo divulgado em janeiro de 2026. A constelação orbita a aproximadamente 391 milhas (630 km) de altitude e, embora seus satélites não sejam geralmente visíveis a olho nu, eles apresentam brilho médio que supera os limites recomendados pela União Astronômica Internacional (IAU) para evitar interferências.
Impacto no estudo do cosmos
A pesquisa, ainda não revisada por pares, analisou quase 2.000 observações individuais dos satélites da Amazon Leo. Em cerca de 25% dessas observações, os satélites apareceram suficientemente brilhantes para serem vistos sem o auxílio de telescópios, comprometendo a qualidade das observações astronômicas. Essa interferência é especialmente preocupante para grandes levantamentos astronômicos conduzidos em observatórios terrestres como o Vera C. Rubin Observatory, que dependem de imagens claras e sem artefatos para mapear o universo.
Além disso, satélites brilhantes também podem afetar telescópios espaciais, como o Hubble, com reflexos de luz dificultando a captura de dados precisos.
Comparações com outras constelações
O estudo conduzido pelo astrônomo Anthony Mallama destaca que os satélites da Amazon são menos brilhantes que os modelos BlueBird da AST SpaceMobile, que possuem grandes antenas refletoras, e um pouco menos luminosos que os satélites Starlink da SpaceX, que operam a altitudes menores (cerca de 300 milhas ou 480 km). Contudo, os satélites Starlink passam a maior parte do tempo na sombra da Terra, o que reduz seu impacto visual para observadores terrestres.
Medidas para minimizar o impacto
A Amazon iniciou o lançamento de sua constelação em 2025, com 180 satélites já em órbita, planejando expandi-la para mais de 3.200 unidades. Os satélites futuros devem orbitar em altitudes ainda menores, o que pode aumentar seu brilho aparente.
Apesar dos desafios, a empresa tem colaborado com astrônomos para reduzir o brilho refletido, adotando técnicas como superfícies espelhadas no lado inferior dos satélites para refletir luz solar para o espaço e orientações específicas para evitar que as partes iluminadas sejam visíveis da Terra.
John Barentine, especialista em céu escuro, reconheceu que o diálogo precoce entre Amazon e comunidade astronômica tem permitido avanços na mitigação da interferência visual, tornando os satélites menos perceptíveis desde os primeiros testes em 2023.
Desafios futuros para a astronomia
Desde o lançamento dos primeiros satélites Starlink em 2019, astrônomos alertam para os riscos que megaconstelações de satélites representam para a observação do céu noturno, com reflexos e rastros prejudicando fotografias e dados científicos.
Estudos indicam que, com exceção da constelação OneWeb, que opera em altitudes mais elevadas (745 milhas ou 1.200 km), a maioria das redes de satélites de internet atualmente em operação ultrapassa os limites de brilho recomendados pela IAU.
O equilíbrio entre expandir o acesso global à internet via satélites e preservar a qualidade das observações astronômicas permanece um tema crítico para a comunidade científica e a indústria espacial.
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Fonte: www.space.com
Fonte: ULA