Entender os sintomas e perceber a causa do burnout evita o desenvolvimento de doenças e transforma o ambiente de trabalho
Em 2025, o número de afastamentos no trabalho relacionados à saúde mental foi maior que 546 mil. O número, calculado pelo Ministério da Previdência Social, contabiliza apenas os afastamentos maiores do que 15 dias de pessoas ligadas ao INSS.
Ou seja, é possível que os casos de pessoas com doenças psicológicas com afastamentos menores do que 15 dias e com outros regimes de trabalho, como o PJ, sejam ainda maiores do que foi possível contabilizar.
Entre esses 546 mil casos de afastamentos, 7.595 foram causados pelo burnout, doença ocupacional diretamente ligada ao ambiente ou ao trabalho em si. Além desses casos, outras doenças, como ansiedade e depressão, também podem estar relacionadas ao trabalho.
Isso acende um alerta sobre como os ambientes de trabalho afetam diretamente a saúde dos trabalhadores.
Burnout: doença diretamente ligada ao esgotamento profissional
O burnout foi reconhecido oficialmente como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2022. No Brasil, a classificação passou a ser adotada em janeiro de 2025, o que garantiu o direito de afastamento de até 15 dias pagos pelo empregador e pelo INSS em casos de afastamentos maiores do que 15 dias.
A descrição oficial da OMS para o burnout é “uma síndrome resultante de um estresse crônico no trabalho que não foi administrado de forma efetiva”. Então, o burnout não é um estresse ou ansiedade passageira, comuns de existir em alguns casos, como em uma apresentação importante ou imprevisto.
O burnout é um estresse e uma ansiedade que duram bem mais do que situações normais e que afetam a saúde física e emocional do paciente, além de impactarem na produtividade do trabalhador.
Sintomas do burnout
Entre os principais sintomas de burnout estão:
- Cansaço constante que não passa mesmo com noites bem dormidas ou descansos prolongados, como em feriados ou folgas;
- Insônia;
- Dificuldade de concentração;
- Falhas na memória;
- Falta de energia e motivação;
- Alterações no humor;
- Aumento na irritabilidade, impaciência e em explosões emocionais;
- Sensação de incompetência, mesmo cumprindo com as obrigações;
- Queda na produtividade;
- Cinismo e pensamentos negativos constantes.
Nem sempre todas as pessoas terão os mesmos sintomas ou todos eles. O importante é identificar se alguns estão presentes no dia a dia e com maior frequência. Vale ressaltar que somente profissionais de saúde qualificados podem realizar o diagnóstico correto, uma vez que esses sintomas podem estar relacionados a outras condições. Nesse caso, é preciso procurar por um psicólogo para poder tratar a doença da forma correta.
Causas do burnout
Nem sempre o burnout será causado por ambientes tóxicos e má gestão. Às vezes, o problema vem do tipo de profissão e de problemas estruturais de determinadas áreas.
Por exemplo, algumas áreas de médicos e enfermeiros lidam constantemente com o estresse e jornadas excessivas, como emergências e cirurgias. Professores também sofrem com a descredibilidade do trabalho, má remuneração, jornadas muito maiores e problemas nas salas de aula e na gestão superior.
Advogados que lidam com prazos apertados e casos complexos também possuem um trabalho naturalmente mais estressante. Todos esses fatores contribuem para o desenvolvimento do burnout.
Mas é claro que alguns ambientes de trabalho podem sim ser tóxicos e prejudicar a saúde dos colaboradores. Por isso, fique atento a alguns comportamentos que a empresa e a gestão direta têm com os trabalhadores.
Comportamentos de empresas e gestores, como cobranças desproporcionais ao necessário, assédio moral, humilhação e violências, metas inalcançáveis ou comportamentos que levem à competição exagerada, à tensão e ao medo constante, não são normais.
A sobrecarga, a falta de autonomia no trabalho e más explicações sobre determinadas funções (que podem fazer o trabalhador refazer várias vezes o trabalho) também são sinais de que o ambiente está levando os colaboradores ao burnout.
O que as empresas podem fazer para ajudar a melhorar o ambiente de trabalho
O primeiro passo para que as empresas melhorem o ambiente e cumpram a Norma Reguladora número 1 (NR-1), que oficializa a responsabilidade das empresas nesses casos, é ter um canal de escuta.
O canal de escuta pode ser tanto para denúncias de gestores ou comportamentos agressivos de colegas quanto para ouvir desabafos dos colaboradores que estão sofrendo com alguma questão.
É muito importante que esse canal seja confiável para os trabalhadores, tornando as denúncias anônimas para proteger a integridade dos funcionários. Também é preciso que a empresa tome medidas efetivas para melhorar o problema.
É possível realizar a troca do gestor ou capacitar todos os profissionais para que eles não cometam nenhum tipo de comportamento abusivo que afete a saúde dos demais.
Outro passo importante é garantir a presença de um profissional formado em psicologia, de preferência que não tenha nenhuma relação pessoal com ninguém da empresa, para que este possa tanto escutar os desabafos e as denúncias quanto pensar em estratégias para melhorar o ambiente.
Dessa forma, o ambiente de trabalho pode ficar muito mais amigável para que todos possam trabalhar bem e não desenvolver nenhuma doença psicológica.