Orientações do governo do Paraná destacam importância de valorizar alimentos imperfeitos para reduzir perdas e impactos ambientais
Seab orienta que aparência nem sempre é qualidade e alerta para evitar o desperdício de alimentos considerados apenas 'feios'.
O que significa que aparência nem sempre é qualidade na alimentação
A expressão “aparência nem sempre é qualidade” é central para combater o desperdício de alimentos, especialmente em frutas, verduras e hortaliças, conforme orientações da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab). Muitas vezes, produtos com aparência menos atraente são descartados indevidamente, mesmo mantendo seu valor nutricional e sabor. Essa prática contribui para perdas na cadeia produtiva e impactos ambientais. Márcia Stolarski, chefe do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional da Seab, destaca que nem todo alimento torto ou de cor diferente está impróprio para consumo.
Impactos ambientais e econômicos do desperdício alimentar no Brasil e no mundo
O desperdício de alimentos não agride apenas o bolso do consumidor e do produtor, mas também o meio ambiente. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), 1,05 bilhão de toneladas de alimentos foram desperdiçadas em 2022, gerando cerca de 8% a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. O Brasil enfrenta desafios significativos, pois o desperdício ocorre majoritariamente em domicílios, mas também em serviços de alimentação e varejo. Esse cenário demanda ações coordenadas para garantir sustentabilidade e segurança alimentar.
Políticas públicas do Paraná para combater o desperdício e garantir segurança alimentar
Desde 2019, o Paraná implementa políticas que alinham combate ao desperdício e assistência social. O Banco de Alimentos Comida Boa transforma excedentes alimentares em produtos para pessoas em vulnerabilidade social, com mais de 600 toneladas doadas mensalmente. O programa Mais Merenda oferece de três a cinco refeições diárias a cerca de 1 milhão de alunos em escolas estaduais, com mais de 5 mil toneladas de alimentos orgânicos em 2025. Além disso, o Cartão Comida Boa assegura que mais de 112 mil famílias vulneráveis tenham recursos para adquirir alimentos, e o Compra Direta Paraná abastece entidades sociais com produtos da agricultura familiar.
Entendendo a diferença entre alimentos estragados e imperfeitos para evitar desperdícios
A confusão entre alimentos estragados e aqueles com aparências rústicas é uma das causas do desperdício. Alimentos mofados, com odor forte ou textura amolecida devem ser descartados, mas frutas e verduras com cicatrizes naturais, deformidades ou cores diferentes não perdem qualidade ou valor nutricional. O engenheiro agrônomo Raphael Branco de Araújo explica que danos superficiais ou eventos climáticos podem gerar essas marcas sem comprometer o produto. Essa diferenciação é fundamental para o consumidor reavaliar seus critérios na hora da compra.
O papel da conscientização e do consumidor na redução do desperdício alimentar
A mudança cultural é essencial para reduzir o desperdício de alimentos. O mito de que somente produtos esteticamente perfeitos são saudáveis precisa ser superado por meio de campanhas educativas e ações públicas. O consumidor, ao adotar critérios mais criteriosos e sustentáveis, ajuda a fortalecer a cadeia produtiva, garantir retorno financeiro ao agricultor e diminuir impactos ambientais. A Seab reforça que cuidados no manuseio e escolhas conscientes são caminhos para um sistema alimentar mais justo e sustentável.
Fonte: www.parana.pr.gov.br
Fonte: SEAB
