Recriação da seda dourada revela segredos de sustentabilidade.
Pesquisadores recriam a seda dourada da Roma Antiga a partir de moluscos, revelando um método sustentável.
Pesquisadores sul-coreanos conseguiram recriar a “seda dourada do mar”, um tecido de luxo muito utilizado por imperadores e nobres durante a Antiguidade. Este tecido, conhecido por sua coloração dourada vibrante, era produzido a partir dos filamentos de moluscos da espécie Pinna nobilis, que se fixam a rochas. O que torna essa recriação particularmente fascinante é o uso de moluscos, que são cada vez mais raros devido à poluição marinha e à pesca excessiva, levando a uma quase extinção da Pinna nobilis e resultando na proibição de sua captura pela União Europeia.
A Tradição Histórica da Seda Dourada
A seda dourada do mar tem uma rica história que remonta a civilizações antigas, sendo um símbolo de status e riqueza. Na Roma Antiga, era frequentemente utilizada em vestimentas de elite, destacando-se pela sua beleza e durabilidade. A produção desse tecido era uma prática artesanal complexa, que envolvia o manuseio cuidadoso dos filamentos. Com o passar dos anos, a escassez dos moluscos e a degradação ambiental tornaram a produção quase impossível.
O Processo de Recriação
A pesquisa, liderada pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Pohang (Postech), foi publicada na revista Advanced Materials em 2025. Os cientistas usaram um novo método para recriar a seda dourada, aproveitando a similaridade das propriedades físicas e químicas dos filamentos do molusco Atrina pectinata, que se mostraram adequados para esse propósito. Este avanço não só permitiu a produção do tecido, mas também elucidou o mecanismo por trás de sua cor e resistência, que não dependem de corantes sintéticos, mas sim da interação da luz com a estrutura do filamento, resultando em um brilho natural.
Implicações Ambientais e Futuras
A descoberta do componente proteico chamado “fotonina” é crucial, pois explica como a luz é refletida de maneira a criar o efeito dourado característico da seda. Com a organização das proteínas do filamento, o brilho e a coloração se intensificam, oferecendo uma alternativa sustentável na moda e na indústria têxtil. Os pesquisadores enfatizam que o desenvolvimento de tecidos sem corantes é uma abordagem que respeita o meio ambiente, alinhando-se com as demandas contemporâneas por práticas mais sustentáveis.
Conclusão
A recriação da seda dourada do mar não apenas revive uma tradição antiga, mas também oferece um olhar promissor sobre o futuro da produção de tecidos. À medida que o mundo se volta para práticas mais sustentáveis, esse avanço científico pode redefinir a indústria têxtil, integrando inovação e respeito ao meio ambiente.
Fonte: www.metropoles.com