Seleção natural e canibalismo intrauterino em tubarão-tigre-da-areia

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Conheça como filhotes de tubarão competem no útero para garantir sobrevivência

O canibalismo intrauterino no tubarão-tigre-da-areia promove a sobrevivência dos filhotes mais fortes, que já lutam e se alimentam dentro do útero materno.

O canibalismo intrauterino em algumas espécies de tubarões, como o tubarão-tigre-da-areia (Carcharias taurus), é uma estratégia reprodutiva que exemplifica a força da seleção natural desde o início da vida. Antes mesmo do nascimento, os embriões disputam recursos dentro do útero da mãe, o que pode levar ao consumo dos irmãos ou de ovos não fertilizados produzidos pela fêmea.

Estratégias reprodutivas no tubarão-tigre-da-areia

O tubarão-tigre-da-areia possui dois úteros, onde se desenvolvem entre 8 a 12 embriões em cada um, além de ovos não fecundados que servem como alimento extra. Durante a gestação, um embrião se destaca ao crescer mais rápido e desenvolver dentes funcionais antes dos demais, iniciando a prática chamada adelfofagia — o consumo dos irmãos ainda no útero. Essa competição extrema assegura que apenas os filhotes mais fortes sobrevivam até o nascimento.

Benefícios e custos dessa adaptação

O resultado desse processo é o nascimento de um número reduzido de filhotes, geralmente dois por gestação, mas com tamanhos quase o dobro dos filhotes de outras espécies, chegando a cerca de um metro de comprimento. Filhotes maiores apresentam vantagens claras: melhor nado, maior capacidade de fuga de predadores, eficiência na caça e resistência ao estresse ambiental desde os primeiros dias de vida.

No entanto, para a mãe, o investimento é alto. Ela precisa produzir e sustentar ovos nutritivos por um período prolongado, o que reduz a frequência de reprodução e aumenta o intervalo entre gestações. Além disso, torna-a mais vulnerável a mudanças ambientais. Ainda assim, essa estratégia evolutiva persiste por favorecer descendentes com maior chance de sobrevivência.

Diferenças entre espécies e o papel da seleção natural

Nem todos os tubarões apresentam esse tipo de comportamento. Espécies como o tubarão-mako e o tubarão-branco praticam a oofagia — alimentação por ovos não fertilizados — sem necessariamente o canibalismo intrauterino. Já o tubarão-touro (Carcharhinus leucas) é vivíparo placentário, investindo muito em poucos filhotes, mas sem consumo intrauterino de ovos ou irmãos.

Segundo especialistas, esses comportamentos ilustram como a seleção natural atua, favorecendo a sobrevivência dos filhotes mais aptos desde o útero materno. Essa luta inicial é fundamental para garantir que apenas os indivíduos mais preparados avancem no ciclo evolutivo.

Perspectivas para estudos futuros

O entendimento aprofundado dessas estratégias pode contribuir para a conservação dos tubarões, espécies muitas vezes ameaçadas pela atividade humana. Estudar a reprodução e desenvolvimento embrionário ajuda a compreender os desafios que essas espécies enfrentam e reforça a importância de preservar seus ambientes naturais.

O fenômeno do canibalismo intrauterino no tubarão-tigre-da-areia é um exemplo fascinante da complexidade da vida marinha e da contínua batalha pela sobrevivência que ocorre mesmo antes do nascimento.

Fonte: www.metropoles.com

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