Senado aguarda ação de Alcolumbre para avançar com PEC do fim da 6×1

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala 6×1 foi aprovada na Câmara dos Deputados e agora depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que avance em sua tramitação. O texto recebeu 472 votos a favor e 22 contra no primeiro turno, além de 461 a 19 no segundo turno, ocorridos na noite de quarta-feira (27). Após essa etapa, a proposta segue para análise dos senadores.

Entretanto, a tramitação no Senado requer um distensionamento nas relações entre o Executivo e o Legislativo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve iniciar esforços para reatar a comunicação com Alcolumbre. Em sua conta nas redes sociais, Lula celebrou a aprovação na Câmara, descrevendo-a como uma "conquista histórica" e expressando gratidão ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele também afirmou que o governo se dedicará a garantir a aprovação do texto no Senado.

Para que a PEC comece a tramitar no Senado, ela precisa ser pautada por Alcolumbre. No entanto, a relação entre o senador e o governo é tensa, especialmente após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) em abril. Apesar de Lula e Davi não terem se falado desde então, o Planalto acredita que a importância da pauta do fim da escala 6×1 requer um esforço do presidente para restaurar as relações institucionais.

Luiz Marinho, ministro do Trabalho, ressaltou que Lula buscará Alcolumbre para restabelecer o contato, comparando a situação a "dois amigos que ficam alguns meses sem se falar". Ele também acredita que o Senado terá a sensibilidade de ouvir a população, afirmando que conversas com Davi serão fundamentais.

Um encontro entre Lula e Alcolumbre está previsto para ocorrer entre quinta (28) e sexta-feira (29). Durante essa reunião, os dois discutirão o formato da proposta no Senado e a agilidade da votação. Lula pretende reforçar a necessidade de manter a redação da PEC o mais semelhante possível à versão aprovada na Câmara e de concluir a votação antes das eleições deste ano.

Um dos principais pontos de discórdia entre governo e oposição na Câmara foi a resistência de representantes do empresariado, que se reuniram com Alcolumbre na terça-feira (26) para solicitar mais tempo para analisar a PEC. Eles manifestaram oposição à proposta, argumentando que a discussão não deveria ocorrer em um período eleitoral.

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