O Senado dos EUA avançou uma resolução que limita o presidente Trump no uso de força militar contra a Venezuela. A votação de 52 a 47 ocorre em um contexto de crescente tensão política e preocupações legais sobre a ação militar.
O Senado dos Estados Unidos avançou uma resolução bipartidária que limita o poder do presidente Trump de usar força militar na Venezuela sem aprovação prévia do Congresso.
O Senado dos Estados Unidos disparou um alerta ao presidente Donald Trump ao votar, na quinta-feira, para avançar uma resolução bipartidária que visa bloquear o uso de força militar na Venezuela sem aprovação prévia do Congresso. A votação, que terminou em 52 a 47, ocorreu após tentativas fracassadas de líderes republicanos para derrubar a medida e preservar a autoridade de Trump, que ameaça uma ‘segunda onda’ de ataques ao país sul-americano.
Trump afirmou que os EUA ‘administrariam’ temporariamente a Venezuela depois de ordenar uma operação militar para capturar e extraditar o líder Nicolás Maduro. A resolução liderada pelo senador Tim Kaine (D-Va.) contou com o apoio de cinco republicanos, além de todos os 47 democratas, refletindo uma crescente preocupação com a legalidade das ações do presidente.
Kaine criticou a abordagem de Trump, afirmando: “Em vez de responder às preocupações dos americanos sobre a crise de acessibilidade, o presidente Trump iniciou uma guerra com a Venezuela, que é profundamente desrespeitosa aos nossos soldados e extremamente impopular. Como isso pode ser considerado ‘América Primeiro’?” Ele também destacou que a ação militar foi ordenada sem a autorização necessária do Congresso, conforme exige a Constituição.
A votação estabelece uma discussão mais ampla sobre o papel do Congresso em decidir sobre ações militares. O próximo passo é uma votação completa no Senado, programada para a próxima semana, que também necessitará de uma maioria simples para passar. Embora a medida tenha que ser aprovada pela Câmara e receber a assinatura do presidente, sua aprovação enviaria uma mensagem clara a Trump sobre os limites de sua autoridade.
O senador Rand Paul (R-Ky.) ecoou as preocupações de Kaine, afirmando que muitos no Congresso desejam transferir a responsabilidade de iniciar guerras para o presidente, enquanto a Constituição não confere tal poder de forma explícita. Ele afirmou: “Bombardear a capital de outra nação e remover seu líder é um ato de guerra, pura e simples.”
A votação também representa um teste inicial da disposição dos republicanos em estabelecer limites sobre o poder de Trump. O presidente já indicou que está aberto à possibilidade de enviar tropas para a Venezuela e fez ameaças a outros países, incluindo Irã e Colômbia.
A senadora Susan Collins (R-Maine) enfatizou a necessidade de invocar a Lei dos Poderes de Guerra, dada a possibilidade de um engajamento sustentado na Venezuela. A senadora Lisa Murkowski (R-Alaska) também destacou a importância de afirmar o papel do Congresso, conforme estipulado no Artigo 1 da Constituição.
Por outro lado, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer (D-N.Y.), disse: “Chega de guerra sem debate e votação no Congresso.” O senador John Barrasso (R-Wyo.) fez um apelo para que os senadores rejeitassem a medida, descrevendo a captura de Maduro como uma operação de aplicação da lei e não como uma ação militar.
As tensões em torno da Venezuela e a resposta militar dos EUA continuam a ser um tema polêmico, refletindo as divisões políticas internas e as complexas dinâmicas de poder na região. Com as próximas votações, a questão sobre a autoridade do presidente em conduzir ações militares sem o consentimento do Congresso permanece em debate.
Fonte: www.nbcnews.com
Fonte: Sen. Tim Kaine; President Donald Trump.
