Senado vai avaliar quebra temporária de patente do Mounjaro

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Proposta visa ampliar acesso ao tratamento de obesidade e diabetes tipo 2

Senado analisa projeto que propõe licenciamento compulsório do Mounjaro para ampliar acesso ao tratamento.

O Senado está prestes a avaliar uma proposta que pode alterar significativamente o acesso a tratamentos de saúde no Brasil. A iniciativa, que propõe o licenciamento compulsório do medicamento tirzepatida, conhecido comercialmente como Mounjaro, visa facilitar o acesso a um remédio que poderia transformar o tratamento da obesidade e diabetes tipo 2 no país.

Origem e Contexto do Licenciamento Compulsório

O licenciamento compulsório é uma ferramenta prevista na Lei de Propriedade Industrial brasileira que permite a suspensão temporária de patentes quando há interesse público. Na prática, isso possibilita que o governo ou empresas autorizadas fabriquem medicamentos em território nacional, desde que sigam as normas sanitárias. A proposta apresentada pela senadora Dra. Eudócia (PL-AL), através do PL 160/2026, busca especificamente aplicar esse mecanismo ao Mounjaro, promovendo uma produção nacional que visaria diminuir custos e aumentar a acessibilidade do tratamento.

Historicamente, o Brasil já se utilizou deste recurso em situações de emergência em saúde pública. Um exemplo notável ocorreu em 2007, quando o governo federal concedeu licença compulsória para a produção do medicamento Efavirenz, utilizado no tratamento de HIV/Aids, após tentativas frustradas de negociação de preços com a fabricante. Essa medida resultou na produção local e na redução drástica dos preços, tornando o tratamento mais acessível. De maneira semelhante, durante a pandemia de covid-19, o Congresso autorizou o governo a decretar licenças compulsórias para vacinas e medicamentos essenciais, reforçando a importância desse mecanismo em momentos críticos.

Detalhes da Proposta e Impacto na Saúde Pública

A proposta da senadora Dra. Eudócia não apenas busca a suspensão temporária da patente do Mounjaro, mas também reconhece a obesidade como um grave problema de saúde pública no Brasil. A senadora aponta que a prevalência de obesidade entre a população adulta já ultrapassa 24% e pode chegar a 30% até 2030, segundo dados recentes. O excesso de peso está associado ao aumento de doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares, o que torna a intervenção pública urgente.

O projeto propõe que o Sistema Único de Saúde (SUS) garanta acesso integral e equitativo ao tratamento medicamentoso para os pacientes que atendam aos critérios clínicos, além de assegurar acompanhamento por equipes multiprofissionais. Isso representa um passo significativo para garantir que todos os cidadãos, independentemente de sua condição socioeconômica, possam ter acesso a tratamentos adequados para condições que afetam a qualidade de vida e a saúde geral da população.

Consequências e Perspectivas Futuras

Caso a proposta seja aprovada, o próximo passo será a análise pelas comissões temáticas do Senado, seguida pela votação em Plenário. Se aprovada, ainda terá que passar pela Câmara dos Deputados. Esse processo legislativo é crucial não apenas para a potencial disponibilidade do Mounjaro, mas também para estabelecer um precedente importante no uso do licenciamento compulsório como ferramenta política de saúde pública.

A proposta, portanto, não apenas visa aumentar o acesso ao Mounjaro, mas também pode redefinir a abordagem do Brasil em relação a medicamentos essenciais e sua acessibilidade. O resultado dessa discussão pode impactar a saúde de milhões de brasileiros, refletindo uma nova era de políticas públicas que priorizam o bem-estar da população sobre os interesses das grandes farmacêuticas. Em um cenário onde a obesidade e suas comorbidades se tornam um desafio crescente, a análise dessa proposta representa uma oportunidade de intervenção pública necessária e urgente.

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