Senador do Arizona rebate acusações de comportamento sedicioso e defende recusa de ordens ilegais
Senador Mark Kelly critica Trump e secretário de defesa Pete Hegseth em meio a investigação militar relacionada a vídeo sobre ordens ilegais.
Senador Mark Kelly critica Trump e secretário de defesa em meio a investigação militar
Senador Mark Kelly, do Arizona, reagiu firmemente a comentários do presidente Donald Trump e do secretário de defesa Pete Hegseth na sequência da divulgação de um vídeo, que ocorreu no mês de novembro. No vídeo, Kelly e outros parlamentares democratas, todos veteranos militares ou ex-agentes de inteligência, pedem aos membros das forças armadas e órgãos de inteligência que “recusem ordens ilegais”. A “investigação militar” relacionada ao vídeo se intensificou após acusações públicas de Trump.
“Este presidente acredita que pode intimidar e amedrontar pessoas, mas não vai me impedir de falar e responsabilizá-lo por seus atos errados e ilegais”, declarou Kelly em entrevista ao programa “Meet the Press” da NBC News. Ele qualificou Trump e Hegseth como “não pessoas sérias” diante da gravidade da situação.
Acusações de comportamento sedicioso e resposta de Kelly
O Departamento de Defesa iniciou uma apuração após o presidente Donald Trump ter acusado Kelly e outros legisladores de comportamento sedicioso, alegando que tais ações poderiam ser “puníveis com a morte”. Posteriormente, Trump recuou dessas declarações ao afirmar que não ameaçava os parlamentares com pena de morte.
Kelly, senador e ex-oficial da Marinha, ressaltou que o vídeo tinha o objetivo de se antecipar a possíveis ordens ilegais futuras, e não criticava ordens já dadas. Ele relembrou declarações de Trump durante a campanha presidencial de 2016, nas quais afirmava que as forças armadas obedeceriam suas ordens mesmo que ilegais segundo o direito internacional. Kelly expressou preocupação diante desse tipo de postura e enfatizou a importância de seguir as leis e a Constituição.
Denúncias contra o secretário Pete Hegseth e investigações em curso
Pete Hegseth classificou o vídeo dos democratas como “desprezível, irresponsável e falso” em uma postagem na rede social X, aumentando a tensão política.
De acordo com reportagens recentes, Hegseth teria ordenado que uma equipe de Navy SEALs “eliminasse todos” em uma embarcação suspeita de traficar drogas para os Estados Unidos, ação que deu início a uma campanha contra esse tipo de embarcação. Kelly manifestou esperança de que tais informações não sejam verdadeiras e pediu investigações rigorosas.
As comissões de serviços armados da Câmara e do Senado iniciaram apurações referentes às denúncias e à conduta da liderança do Pentágono. Kelly afirmou que os responsáveis devem ser colocados sob juramento para esclarecer os fatos e que haverá prestação de contas.
Reações e desdobramentos na política e nas forças armadas
A investigação militar em curso e as declarações públicas têm colocado em evidência a tensão entre membros do Congresso e o Executivo quanto ao respeito às normas legais dentro das Forças Armadas dos Estados Unidos.
Kelly, que se destacou como piloto e oficial da Marinha, enfatizou que durante seu serviço nunca questionou a legalidade das ordens recebidas, mas deixou claro que recusaria qualquer ordem considerada ilegal. “As pessoas podem e devem saber distinguir entre o que é legal e ilegal”, afirmou.
A Federal Bureau of Investigation (FBI) também busca entrevistar os parlamentares envolvidos no vídeo para aprofundar a investigação.
Importância da mensagem sobre recusas de ordens ilegais para o futuro da democracia
O apelo dos parlamentares democratas para que militares e agentes de inteligência neguem ordens ilegais destaca a preocupação com a manutenção do Estado de direito e da Constituição diante de possíveis abusos.
Senador Kelly e seus colegas insistem que a mensagem é preventiva e focada em preservar princípios democráticos, evitando a execução de ordens que possam violar direitos e leis fundamentais.
Esta controvérsia tem provocado debates significativos sobre limites do poder executivo, controle civil sobre militares e o papel das Forças Armadas em um sistema democrático.
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Alexandra Marquez, repórter de política para NBC News, contribuiu para a apuração desta matéria.
Fonte: www.nbcnews.com
Fonte: NBC News