Senadores iniciam 2026 com defesa de subcomissão sobre Banco Master

Grupo de trabalho visa investigar irregularidades financeiras

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado iniciou seus trabalhos de 2026 com foco na investigação do Banco Master.

A abertura dos trabalhos da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) em 2026 trouxe à tona um assunto crítico que já está em evidência no cenário financeiro brasileiro: o Banco Master. Nesta terça-feira (3), os senadores manifestaram a urgência da criação de um grupo de trabalho para acompanhar as investigações sobre as irregularidades atribuídas a essa instituição financeira, que afetam diretamente a confiança no sistema bancário e a segurança dos investidores.

A Criação da Subcomissão e Seus Propósitos

O ato de instituir a subcomissão, promovido pelo presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), surge como uma resposta necessária às graves irregularidades apuradas sobre o Banco Master, especialmente em relação ao seu modelo de negócios. Renan destacou a urgência de uma investigação profunda, afirmando: “É dever desta comissão vasculhar este pântano do Banco Master e todas as suas ramificações, doa a quem doer”. O foco principal será na emissão de certificados de depósito bancário (CDBs) com promessas de retornos elevadíssimos e no uso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Segundo o senador, a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, foi tardia. Ele questionou a atuação dos órgãos de fiscalização e prometeu que a comissão buscará esclarecer as razões pelas quais não houve intervenções antes da liquidação.

Atuação do Grupo de Trabalho

A subcomissão, que será instalada nesta quarta-feira (4), terá um papel fundamental na fiscalização do sistema financeiro. Renan Calheiros ressaltou que, mesmo não se tratando de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), é uma obrigação da CAE zelar pela fiscalização adequada. O grupo de trabalho irá requisitar documentos e dados sigilosos, com base na Lei Complementar 105, de 2001, e acompanhará investigações em andamento em instituições como o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União (TCU).

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também enfatizou a relevância do debate no âmbito da CAE para fortalecer o papel institucional do Senado, reafirmando a ideia de que as mudanças na legislação devem ser promovidas diretamente no colegiado. Para ela, o foro adequado para discutir as irregularidades que cercam o Banco Master é a CAE, uma vez que suas decisões são permanentes, ao contrário das CPIs, que são transitórias.

Implicações e Consequências

O impacto do caso do Banco Master não se restringe ao âmbito financeiro, mas também envolve questões políticas e sociais, especialmente para o Distrito Federal. A senadora Leila Barros (PDT-DF) alertou para os riscos de liquidação ou federalização do Banco de Brasília (BRB), enfatizando que o escândalo financeiro em torno do Banco Master pode afetar profundamente a saúde financeira da instituição pública local.

Por sua vez, o senador Esperidião Amin (PP-SC) argumentou que a subcomissão assegura a continuidade das apurações, independentemente de outras investigações que possam surgir, garantindo que a CAE se torne o centro das discussões sobre o caso. O grupo de trabalho contará com a presença de outros senadores, incluindo Alessandro Vieira (MDB-SE), Eduardo Braga (MDB-AM) e Randolfe Rodrigues (PT-AP), e terá a atribuição de convocar autoridades e elaborar propostas legislativas relacionadas às irregularidades.

Conclusão

A criação da subcomissão para investigar o Banco Master é um passo significativo para a transparência e a responsabilidade no sistema financeiro brasileiro. Com senadores comprometidos em esclarecer as irregularidades e fortalecer a legislação, a CAE deve desempenhar um papel crucial na recuperação da confiança pública nas instituições financeiras e no combate à corrupção que permeia o setor. A expectativa é que as investigações tragam à tona não apenas os problemas do Banco Master, mas também ajudem a criar um ambiente financeiro mais seguro e ético no Brasil.

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