Ser “ativo” não significa estar livre dos riscos do comportamento sedentário

Foto: Freepik.

Alerta é do coordenador de Educação Física da Estácio, Rafael Braga, para o Dia Mundial do Combate ao Sedentarismo

 

 

Celebrado em 10 de março, o Dia Mundial do Combate ao Sedentarismo chama a atenção para um problema silencioso e cada vez mais comum na vida moderna: passar longos períodos sentado ou parado, mesmo entre pessoas que praticam atividade física regularmente.

O tema ganha ainda mais relevância no Brasil, onde mais de 70% da população convive com doenças crônicas não transmissíveis, como problemas cardiovasculares, síndromes metabólicas e diabetes — condições diretamente associadas à inatividade física e ao comportamento sedentário.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física, o que equivale a cerca de 30 minutos por dia. O problema, segundo o professor, é quando esse tempo se torna o único momento de movimento ao longo de uma rotina marcada por horas seguidas sentado.

De acordo com o professor de Educação Física, Rafael Braga, é possível, sim, cumprir a recomendação mínima de exercícios e ainda assim manter um comportamento prejudicial à saúde. “Parece um paradoxo, mas é super possível ser fisicamente ativo e, ao mesmo tempo, sedentário”, explica.

“Imagine alguém que faz 40 minutos de esteira em intensidade moderada ou vigorosa, mas passa nove horas do dia sentado ou reclinado trabalhando. Esse comportamento sedentário é extremamente nocivo e aumenta o risco de doenças como diabetes, problemas cardiovasculares e até a mortalidade em geral”, alerta Braga.

 

 

 

 

O paradoxo do “sedentário ativo”

Pesquisadores chamam esse fenômeno de “paradoxo do sedentário ativo”. Mesmo pessoas que se exercitam podem sofrer os impactos negativos da inatividade prolongada. Quando o corpo passa muitas horas parado, a atividade muscular cai drasticamente, o metabolismo desacelera e a regulação da glicose e da gordura no sangue piora.

“O corpo humano foi programado para se mover ao longo do dia. Ficar mais de uma hora sem movimento já é nocivo para a saúde”, destaca o professor. Por isso, explica ele, o combate ao sedentarismo vai além da academia ou do treino planejado. Envolve mudanças simples, porém constantes, no dia a dia.

Para Braga, é preciso reprogramar o cérebro para entender o movimento como parte natural da rotina, e não como um evento isolado. Pequenas escolhas fazem diferença. “Eu moro no segundo andar e sempre usei o elevador. Mas por que não começar subindo de escada uma vez ao dia? Depois duas. Ao longo do expediente, fazer pausas a cada 15 ou 60 minutos para ficar em pé, caminhar, alongar ou mobilizar as articulações”, exemplifica.

Esses movimentos não precisam ser intensos. Caminhar dentro de casa, levantar da cadeira, fazer alguns agachamentos com apoio ou simples deslocamentos já ativam a musculatura e contribuem para a saúde.

O impacto do comportamento ativo vai além do corpo. Segundo o professor, manter-se em movimento influencia diretamente a saúde emocional, a disposição para o trabalho, a vida social e os relacionamentos. “A sociedade fala muito em produtividade, mas esquece que, para produzir, a pessoa precisa estar bem física e emocionalmente. O corpo e a mente são o principal instrumento de trabalho”, ressalta.

Os dados nacionais mostram um cenário preocupante:

  • Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que quase metade dos brasileiros são sedentários. Segundo o levantamento, 47% dos adultos brasileiros são considerados sedentários, ou seja, não alcançam o mínimo de 150 minutos semanais de atividade física recomendados pela Organização Mundial da Saúde. Entre os jovens, esse número pode chegar a 84%.
  • A Pesquisa Saúde e Trabalho, feita pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) mostrou que 52% dos brasileiros raramente ou nunca praticam atividade física, revelando que a maior parte da população ainda tem um estilo de vida inativo. Entre os que fazem atividades físicas, 22% se exercitam diariamente, 13% pelo menos três vezes por semana e 8% pelo menos duas vezes semanais.
  • Em 2023, dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco do Ministério da Saúde mostraram que apenas cerca de 40% dos adultos realizam atividade física nos níveis recomendados, considerando o tempo livre da população.

Esses números colocam o Brasil entre os países com os maiores índices de inatividade física na América Latina e no mundo. Sendo assim, neste Dia Mundial do Combate ao Sedentarismo, o recado do professor é claro: praticar atividade física é fundamental, mas manter o corpo em movimento ao longo do dia é indispensável para uma vida mais saudável, ativa e equilibrada.

 

 

Fonte: Assessoria de Imprensa. / Foto: Freepik.

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