Especialista explica por que médicos precisam dominar também organização, experiência do paciente e gestão financeira para transformar excelência técnica em uma carreira mais sustentável
Aurora: Dra. Nayara Cioffi Batagini
Durante anos, a formação médica foi construída quase exclusivamente em torno da excelência técnica. Anos de faculdade, residência, especializações e atualização contínua fazem parte da trajetória de quem escolhe a profissão. Mas, quando esse médico decide construir um consultório particular, surge uma segunda formação para a qual nem sempre recebeu preparo: a gestão.
Agenda, equipe, experiência do paciente, precificação, fluxo de caixa, posicionamento e organização operacional passam a fazer parte da rotina. E o resultado pode ser um paradoxo: o consultório tem pacientes, mas o médico continua sobrecarregado; trabalha muito, mas não necessariamente alcança a rentabilidade esperada.
Para a cirurgiã vascular Dra. Nayara Cioffi Batagini, CRM 134258 | RQE 46405 / 46405-1, idealizadora do Método CLINIC – curso e mentoria – esse é um dos principais desafios enfrentados por especialistas que desejam crescer no atendimento particular.
“Na Medicina, existe uma preparação muito grande para cuidar do paciente, mas pouco espaço para ensinar o médico a cuidar da própria estrutura profissional. Quando ele abre um consultório, passa a administrar pessoas, processos, agenda, custos e experiência do paciente. Sem organização, é possível ter uma excelente medicina e, ainda assim, um negócio pouco sustentável”, explica a especialista.
Agenda cheia não significa consultório saudável. Um dos equívocos mais comuns na gestão médica é associar automaticamente uma agenda lotada a sucesso profissional. Embora a demanda seja importante, quantidade de atendimentos não representa, necessariamente, lucratividade, previsibilidade ou qualidade de vida. Uma agenda sem planejamento pode aumentar o número de horas trabalhadas, gerar atrasos, dificultar o acompanhamento dos pacientes e elevar a sensação de sobrecarga.
“O médico precisa olhar para a agenda como uma ferramenta estratégica, e não apenas como uma lista de horários preenchidos. É necessário entender quanto custa aquela hora de trabalho, qual é a capacidade real de atendimento e como organizar a operação para que crescimento não signifique simplesmente trabalhar mais”, orienta a médica.
O valor da consulta também passa pela experiência. No atendimento particular, a percepção de valor começa muito antes da consulta. A facilidade para agendar, a comunicação da equipe, o ambiente, o cumprimento dos horários e o acompanhamento após o atendimento fazem parte da experiência do paciente.
Isso não significa transformar a Medicina em uma relação comercial, mas reconhecer que a qualidade percebida também é construída por todos os pontos de contato entre paciente e consultório. “A experiência do paciente não substitui a competência médica, mas complementa essa competência. O paciente precisa perceber coerência entre a qualidade da medicina que recebe e a forma como é acolhido desde o primeiro contato. Isso envolve equipe, processos, comunicação e organização”, afirma Nayara.
Finanças: faturamento não é sinônimo de lucro. Outro ponto que costuma gerar dificuldade entre médicos empreendedores é a gestão financeira. Saber quanto entrou no caixa não é suficiente para entender se o consultório é efetivamente lucrativo.
Custos fixos, despesas variáveis, impostos, remuneração, investimentos e reservas precisam ser considerados para que o profissional consiga tomar decisões com segurança.
“Faturamento é apenas uma parte da fotografia financeira. O médico precisa saber quanto custa manter o consultório funcionando, qual é o seu ponto de equilíbrio e quanto realmente sobra depois de todas as despesas. Sem esses números, decisões importantes acabam sendo tomadas no feeling”, destaca a especialista.
Crescer sem transformar o consultório em uma fonte de sobrecarga. A expansão também exige planejamento. Contratar profissionais, ampliar serviços, investir em estrutura ou aumentar a divulgação sem processos definidos pode criar novos problemas em vez de solucioná-los.
Por isso, o crescimento sustentável depende de organização, indicadores e definição clara dos objetivos do consultório. “O crescimento precisa ser consequência de uma estrutura preparada para crescer. Antes de pensar em aumentar a quantidade de pacientes ou serviços, é importante entender processos, equipe, finanças e posicionamento. Caso contrário, o médico pode simplesmente aumentar o tamanho do problema”, ressalta.
A mudança de mentalidade proposta é justamente essa: deixar de enxergar o médico apenas como executor dos atendimentos e reconhecer também seu papel como gestor da própria carreira e da estrutura que construiu. Para a Dra. Nayara, isso não significa colocar o lucro acima do paciente, mas criar condições para que uma boa prática médica consiga se manter no longo prazo.
“Gestão não deve afastar o médico da Medicina. Pelo contrário. Quando processos e finanças estão organizados, o profissional ganha mais clareza e consegue dedicar energia ao que realmente importa: cuidar dos pacientes e desenvolver sua carreira com autonomia, ética e excelência”, conclui.
Fonte: Assessoria de Imprensa. / Foto: ChatGPT.