Setor de energia registra recorde em IPOs no primeiro semestre de 2023

As ofertas públicas iniciais (IPOs) de empresas do setor de energia movimentaram US$ 12,6 bilhões no primeiro semestre de 2023, marcando o ritmo mais acelerado desde o início do século, conforme dados da Dealogic. Este montante representa o maior valor registrado para um primeiro semestre desde a bolha da internet, em 1999, e quase triplica o total acumulado em 2025, quando as IPOs somaram US$ 4,3 bilhões.

O crescimento do interesse dos investidores é impulsionado pela necessidade crescente de soluções para o consumo elétrico, especialmente em relação aos avanços da inteligência artificial. Atualmente, um data center voltado para essa tecnologia consome cerca de 876 mil megawatts-hora anualmente, o que equivale à demanda elétrica de uma cidade como Glasgow, na Escócia, que possui aproximadamente 650 mil habitantes.

A demanda por eletricidade nos Estados Unidos deve crescer 39% na próxima década, conforme estimativas da consultoria ICF, refletindo o aumento da capacidade dos data centers. Esse cenário faz com que investidores direcionem recursos não apenas à inteligência artificial, mas também para as empresas que fornecem a infraestrutura necessária para suportar essas inovações.

Um exemplo recente de IPO nesse contexto é o da SpaceX, que arrecadou mais de US$ 80 bilhões e fez sua estreia em Wall Street com um valor de mercado superior a US$ 1 trilhão, impulsionada por seus planos de expandir investimentos em inteligência artificial. Outro destaque é a sul-coreana SK Hynix, que lançou American Depositary Receipts (ADRs) na Nasdaq a US$ 149 por ação em 10 de julho, resultando na maior estreia de uma empresa estrangeira na bolsa americana, com os papéis encerrando o primeiro pregão com alta de 13% em relação ao preço de emissão.

Entretanto, nem todas as empresas que se beneficiaram do cenário atual estão diretamente envolvidas com o desenvolvimento de inteligência artificial. A Forgent Power Solutions, que atua na provisão de energia, enfrentou uma queda de 68% desde sua estreia. A Deep Fission, que desenvolve reatores nucleares, viu seus papéis caírem 33% desde a abertura do capital. Esses casos evidenciam que algumas empresas ainda dependem de projetos sem comprovação técnica ou viabilidade comercial, sendo, em várias situações, classificadas como experiências científicas.

Por outro lado, empresas que apresentam planos de expansão mais concretos têm demonstrado um desempenho mais robusto. Apesar da volatilidade do mercado e das correções recentes, o setor de tecnologia se destaca em Wall Street, acumulando uma valorização superior a 20% em 2026, mesmo após episódios de realização de lucros. O crescimento contínuo dessa área mantém o otimismo entre os investidores, que buscam novas oportunidades no horizonte econômico.

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