Empresas buscam novas estratégias diante da volatilidade e do aumento do risco de crédito
Empresas do setor elétrico abandonam trading de energia no Brasil devido ao aumento de riscos e volatilidade dos preços.
As empresas do setor elétrico brasileiro estão passando por uma significativa reavaliação de suas estratégias operacionais, especialmente no que se refere ao trading de energia. O aumento dos riscos associados a essas operações, tanto no que diz respeito ao crédito quanto à volatilidade dos preços, levou empresas como a CPFL e a CTG Brasil a abandonarem o trading direcional, que envolvia a montagem de posições compradas ou vendidas em energia.
Contexto do Mercado de Trading de Energia
O mercado brasileiro de trading de energia movimenta bilhões de reais anualmente e se baseia em negociações bilaterais, sem uma contraparte central que possibilite visibilidade sobre a alavancagem de cada agente. Essa estrutura torna a reputação um fator crucial, especialmente para as comercializadoras independentes. A quebra de várias comercializadoras nos últimos anos, destacando-se o caso da Gold Energia, que resultou em um calote bilionário, acentuou a cautela entre os players do mercado.
A Resposta das Empresas ao Cenário Atual
De acordo com executivos do setor, a CPFL e a CTG decidiram focar na comercialização de energia proveniente de seus próprios parques geradores. A CPFL, por exemplo, afirmou que sua atuação no mercado livre está agora concentrada em energia de fontes renováveis, como eólica e hídrica, buscando eliminar riscos associados ao trading. Por sua vez, a CTG anunciou o encerramento de sua subsidiária de trading em 2024, uma decisão estratégica visando a consolidação de sua posição no mercado.
Além disso, outras comercializadoras, como as do grupo Capitale e Urca, relataram uma redução drástica em suas operações, movendo-se para segmentos com menor risco. Essa mudança é reflexo de uma percepção crescente de risco relacionada à volatilidade dos preços, com algumas empresas indicando que as falhas em modelos matemáticos utilizados para previsões contribuíram para essa situação.
Consequências e Futuro do Setor
Com a diminuição das transações de trading, o mercado intermediário, que é vital para garantir liquidez, foi severamente afetado. Vários geradores passaram a evitar transações com comercializadoras independentes, o que contribuiu para a secagem do mercado. Apesar desse movimento, um executivo do setor comentou que a liquidez permanece relativamente normal para grandes geradores e bancos, mas as casas menores enfrentam dificuldades significativas.
A Copel e a Axia, por exemplo, estão adotando estratégias para evitar compromissos de longo prazo em um cenário de preços altos. Essa abordagem demonstra uma tentativa de maximizar lucros enquanto se minimizam riscos, refletindo uma reorientação geral do setor. Com a expectativa de que a volatilidade persista, as empresas estão se adaptando a novos desafios, focando em contratos mais curtos e oportunidades que permitam um melhor controle de gestão de risco, como destacou o CEO da Capitale, Daniel Rossi.
Conclusão
A retração no trading de energia no Brasil ilustra um momento de transição no setor elétrico, onde a prudência se torna uma prioridade. A saída de grandes players do trading sinaliza um mercado em transformação, que prioriza a segurança e a sustentabilidade, ao mesmo tempo em que busca se adaptar a um ambiente de negócios cada vez mais desafiador.
Fonte: www.moneytimes.com.br