Reflexões sobre a sexualidade após os 60 anos
A sexualidade depois dos 60 anos é um tema que merece atenção e respeito, pois o desejo não tem prazo de validade.
Em 31 de outubro de 2025, um casal idoso me fez refletir sobre uma questão importante: “Será que o sexo é só coisa de jovem?” Durante a consulta, falamos sobre convivência, empatia e respeito. A sexualidade na terceira idade é um tema que ainda enfrenta muitos preconceitos e silenciamentos.
Sexualidade além do ato sexual
A sexualidade envolve afeto, toque, desejo e autoestima, e deve ser uma parte fundamental do cuidado integral. Por muito tempo, o prazer e a intimidade foram vistos como privilégios da juventude, mas a verdade é que o desejo não tem prazo de validade. Na maturidade, a sexualidade pode se tornar mais consciente e livre, valorizando a qualidade de vida.
Fatores que influenciam a sexualidade na velhice
Mudanças fisiológicas e emocionais, como a menopausa e a andropausa, impactam a forma como os corpos sentem e desejam. Contudo, isso não significa o fim da vida sexual, mas sim uma nova maneira de vivê-la. O vínculo afetivo, o carinho e a intimidade se tornam ainda mais significativos. Muitos casais relatam uma melhora na qualidade da relação, com mais cumplicidade e menos pressão por desempenho.
A importância da abordagem profissional
Infelizmente, a formação médica muitas vezes não aborda a sexualidade do idoso, o que dificulta conversas abertas. Profissionais de saúde devem encorajar discussões sobre sexualidade como parte natural do cuidado. O silêncio pode levar a riscos à saúde, como o aumento de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) entre idosos. Incluir orientações sobre proteção e lubrificantes nas consultas é essencial.
Compromisso com a dignidade e a autonomia
Promover a saúde sexual na terceira idade é reconhecer que o desejo e o prazer continuam vivos. Conversar sobre sexualidade com naturalidade é fundamental para cuidar da autoestima e dos vínculos afetivos. A atuação dos profissionais de saúde é crucial para garantir que esse tema seja tratado com respeito, oferecendo escuta qualificada e orientações claras, promovendo a dignidade e a autonomia dos idosos.
