Diretora afegã abre o 76º Festival de Cinema de Berlim com "No Good Men", retratando a vida em Cabul antes do retorno do Talibã
Shahrbanoo Sadat abre o Festival de Berlim com "No Good Men", que mistura romance e política em Cabul pré-Talibã.
Shahrbanoo Sadat abre o 76º Festival de Cinema de Berlim com “No Good Men”
A diretora afegã Shahrbanoo Sadat estreia sua comédia romântica “No Good Men” na abertura do 76º Festival de Cinema de Berlim, que acontece entre 12 e 22 de fevereiro. O filme se passa em um escritório de notícias em Cabul durante a era democrática que precedeu o retorno do Talibã em 2021, momento em que Sadat e sua família foram forçados a deixar a capital afegã. Esta obra destaca a keyphrase “Shahrbanoo Sadat” como uma das vozes mais relevantes do cinema mundial contemporâneo, combinando elementos de romance e humor com uma forte carga política.
Contexto político e social retratado em “No Good Men”
“No Good Men” apresenta a história de uma jovem camerawoman que se envolve romanticamente com um repórter casado, revelando as tensões pessoais e profissionais dentro de um cenário marcado pela instabilidade política e social de Cabul. O filme aborda a difícil rotina dos jornalistas sob ameaça constante e expõe as contradições da vida cotidiana em uma cidade em transformação. A diretora utiliza sua experiência pessoal para destacar as condições precárias enfrentadas pelas mulheres e profissionais da mídia afegã.
Impacto da trajetória pessoal de Shahrbanoo Sadat na obra
A trajetória de Sadat, que teve que fugir do Afeganistão após a retomada do Talibã em 2021, confere um caráter de urgência e autenticidade ao filme. Em declarações oficiais, a diretora ressaltou que o filme surgiu do desejo de mostrar realidades muitas vezes invisibilizadas, principalmente a experiência feminina em uma sociedade patriarcal. Sua obra anterior, como “Wolf and Sheep” e “The Orphanage”, já consolidou sua reputação por misturar realismo com elementos folclóricos e sociais.
A produção internacional e a relevância para o cinema mundial
“No Good Men” é fruto de uma coprodução entre Alemanha, França, Noruega, Dinamarca e Afeganistão, envolvendo produtoras como Adomeit Film, La Fabrica Nocturna Cinéma, Motlys, Amerikafilm e Wolf Pictures. Essa colaboração reforça a importância do cinema como ferramenta de diálogo global e destaca a capacidade de Sadat em atrair atenção internacional para as histórias afegãs. O filme é uma peça chave na programação do Berlinale, representando perspectivas diversas e inéditas.
A expectativa para o Festival de Berlim e futuras contribuições de Sadat
Com a escolha de “No Good Men” para abrir o festival, o Berlinale reafirma seu compromisso com o cinema político e socialmente engajado, dando espaço a narrativas femininas e de países em situação de conflito. A presença de Shahrbanoo Sadat como diretora emergente aponta para uma renovação importante no cenário do cinema mundial. A expectativa é que sua obra inspire discussões sobre liberdade, resistência e representatividade nas próximas edições do festival.
Fonte: variety.com
Fonte: No Good Men
