O Paraná vive dias de suspense político dignos de reality show, mas sem apresentador disposto a revelar o resultado. No centro do tabuleiro, o Palácio Iguaçu virou sinônimo de silêncio estratégico ou de sussurros tendenciosos, dependendo de quem comenta nos bastidores. De um lado, Guto Silva desfila como gestor técnico e fiel escudeiro da máquina pública. Do outro, Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, articula com a desenvoltura de quem conhece cada corredor do poder. O problema? Falta alguém dizer, em voz alta, quem afinal é o escolhido.
A ausência de uma palavra definitiva do chefe do Executivo estadual começa a produzir efeitos colaterais nada discretos. O que deveria ser uma sucessão organizada se transforma, dia após dia, em um jogo de vaidades, desconfianças e punhaladas silenciosas. Aliados trocam sorrisos em público e farpas em privado, enquanto o comando maior assiste tudo de camarote, apostando que o tempo resolverá o impasse. Spoiler: na política, o tempo raramente resolve; ele cobra.
E quando a base briga, alguém de fora sorri. Se esse impasse terminar em racha e a eleição escapar das mãos do grupo governista, o responsável não estará nos palanques rivais, mas no silêncio que hoje impera no topo do poder estadual. Nesse cenário, quem pode sair fortalecido é o senador Sérgio Moro, pronto para herdar os votos órfãos de uma liderança que preferiu não liderar. Porque no Paraná, como já se comenta à boca pequena, não escolher também é escolher, e às vezes, escolher perder.