O anúncio do Plano Safra 2026/27, realizado pelo governo federal no dia 30 de outubro, gerou apreensão entre os representantes do setor agrícola, de acordo com o Sistema FAEP. A entidade ressaltou que o valor de R$ 525,1 bilhões destinado ao financiamento da agricultura empresarial, que representa um incremento de 1,7% em comparação aos R$ 516,2 bilhões da safra anterior, deve ser acessível aos produtores rurais em condições que reflitam a realidade do campo. Com a inclusão dos R$ 85 bilhões voltados para a agricultura familiar, o total de recursos chega a R$ 610 bilhões. Apesar de ser um valor recorde, o montante ficou aquém dos R$ 670 bilhões solicitados pelo Sistema FAEP e outras entidades do Paraná.
"Não adianta anunciar um Plano Safra com um valor recorde se não existem mecanismos que transformem isso em investimentos efetivos no campo. É uma ilusão, um número que não se concretiza. Precisamos de juros, condições, linhas de crédito e ferramentas que estejam de acordo com a realidade dos nossos produtores rurais para que a agropecuária continue a crescer e a contribuir para a economia do país", afirmou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. Ele também mencionou a preocupação com as taxas de juros ainda altas e as dificuldades que os produtores enfrentam para acessar as linhas de crédito, além dos cortes consecutivos no orçamento destinado ao Seguro Rural.
Em fevereiro, entidades como o Sistema FAEP, Sistema Ocepar, a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep) já haviam encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) uma série de propostas, pleiteando mais recursos, juros menores, fortalecimento do Seguro Rural e mecanismos para a renegociação das dívidas dos produtores.
No plano anunciado, as linhas de custeio estabelecem juros de 12,5% ao ano para grandes produtores. Para os médios produtores que se enquadram no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), a taxa foi fixada em 9% ao ano. O Sistema FAEP havia solicitado um limite de juros de 10,5% para as linhas de crédito e de 7% para o Pronamp.
Outro ponto destacado é a ausência do Seguro Rural no lançamento do Plano Safra 2026/27, em um contexto marcado por cortes nos últimos meses no orçamento destinado a essa ferramenta de proteção das lavouras. A entidade havia solicitado a alocação de R$ 4 bilhões ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), enfatizando que o fortalecimento desse programa deve ser uma prioridade na política agrícola do Brasil, pois oferece segurança financeira ao produtor em anos de perdas e diminui significativamente o risco de inadimplência, beneficiando também as instituições financeiras.
"O primeiro interessado em que o produtor tenha Seguro Rural é o banco, pois isso garante que o financiamento será pago. O produtor também se beneficia dessa segurança. Quando o governo não investe no Seguro Rural, deixa os agricultores e pecuaristas desamparados e coloca em risco a agropecuária do país", concluiu Meneguette.