Instituição contesta ICMBio e defende cuidados com 98 aves livres de vírus circovírus
Criadouro da ararinha-azul em Curaçá rebate ICMBio e afirma manter 98 aves saudáveis livre do vírus circovírus, contestando autuação e condições sanitárias.
Criadouro da ararinha-azul em Curaçá contesta relatos do ICMBio sobre condições sanitárias
Neste domingo (30/11), o criadouro Ararinha-azul localizado em Curaçá, Bahia, pronunciou-se oficialmente para contestar as informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que indicaram supostas falhas sanitárias, negligência e ambiente insalubre para as aves mantidas no local. O criadouro afirmou que mantém 103 exemplares sob seus cuidados, sendo 98 deles testados negativos para o circovírus, um agente que provoca a doença do bico e das penas. A instituição destacou a aplicação de protocolos rigorosos de biossegurança, manejo e bem-estar animal em conformidade com normas internacionais, buscando assegurar a saúde das aves.
Divergências sobre número de aves infectadas e multa aplicada pelo ICMBio
O criadouro também questionou os dados apresentados pelo ICMBio sobre o número de aves infectadas pelo circovírus. Embora os resultados iniciais tenham apontado 11 ararinhas soltas na natureza contaminadas, a instituição informou que testes adicionais reduziram esse total para cinco, sendo três do plantel cativo e dois dos indivíduos recapturados. Em relação à multa de R$ 1,8 milhão aplicada pelo órgão federal, o criadouro afirmou não ter recebido o laudo técnico completo que fundamentou a autuação, o que impediu uma defesa mais consistente. A controvérsia evidenciou tensões entre as instituições em torno da conservação dessa espécie criticamente ameaçada, originária da Caatinga.
Situação das ararinhas-azuis na natureza e esforços de reintrodução em Curaçá
A ararinha-azul foi declarada extinta na natureza e tem sido alvo de esforços de reintrodução desde 2020, quando o governo brasileiro e a ONG alemã ACTP iniciaram um programa conjunto para devolver a ave ao seu habitat natural. Em 2022, 20 ararinhas foram soltas na Caatinga, das quais 11 sobreviveram, compõem o grupo que recentemente testou positivo para o circovírus. Apesar dos desafios sanitários, o projeto registrou avanços importantes, incluindo o nascimento de sete filhotes em vida livre, o primeiro desses registros em mais de 37 anos. A soltura planejada para 2025, que incluiria 20 aves, foi suspensa temporariamente após a detecção do vírus. Além disso, 41 ararinhas importadas da Alemanha permanecem no criadouro sem previsão de soltura.
Avaliação do ICMBio sobre as condições do criadouro e riscos para a população das ararinhas
Por outro lado, o ICMBio manifestou preocupação com as condições sanitárias observadas no criadouro. A analista ambiental Claudia Sacramento, responsável pela coordenação da emergência sanitária, apontou que as instalações apresentavam risco para as ararinhas-azuis mantidas em cativeiro. Entre as falhas destacadas estavam a ausência de limpeza diária dos recintos, acúmulo de fezes e restos de comida, além do fato de os funcionários não utilizarem os equipamentos de proteção individual recomendados. A recusa do criadouro em reconhecer laudos de laboratórios conceituados como o da USP e do Ministério da Agricultura também foi criticada, ampliando o impasse técnico e institucional.
Desafios e perspectivas para a conservação da ararinha-azul na Caatinga
A situação conflitante entre o criadouro e o ICMBio ressalta os desafios enfrentados na conservação da ararinha-azul, uma das espécies mais ameaçadas do Brasil e símbolo da Caatinga. Garantir a saúde, o manejo adequado e a segurança ambiental das aves em cativeiro é fundamental para o sucesso dos programas de reintrodução. O monitoramento rigoroso da saúde dos animais na natureza e em cativeiro, bem como a cooperação entre órgãos governamentais, instituições científicas e organizações de conservação, são essenciais para a sobrevivência da espécie. A continuidade do debate e a transparência nas ações podem contribuir para soluções que conciliem proteção ambiental e responsabilidade institucional.