Furioso, Skaf enquadra Galípolo e questiona moralidade da Selic a 15%

Flávio Florido/Sebrae-SP

Críticas contundentes ao atual cenário econômico brasileiro.

Paulo Skaf critica a taxa Selic elevada e seus impactos na economia brasileira.

O cenário econômico brasileiro continua a ser marcado por debates intensos sobre a política monetária. Recentemente, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, dirigiu uma carta ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, expressando sua profunda preocupação com a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. Em um tom que mescla frustração e urgência, Skaf enfatiza que o Brasil atingiu um “limite exaustivo” sob a pressão dos juros elevados, que, segundo ele, impõem um “prejuízo severo ao povo brasileiro”.

A política monetária e seus efeitos colaterais

Skaf argumenta que a política monetária atual tem produzido um quadro de “asfixia” para a economia real. Ele critica a falta de sensibilidade da autoridade monetária para com o bem-estar social e os desafios enfrentados pelas empresas e famílias. O impacto dos altos juros não se limita a um aumento no custo do crédito; ele se reflete também na desvalorização de empresas que, até então, eram consideradas sólidas. A inadimplência, conforme apontado por Skaf, tem avançado em níveis alarmantes, criando um ciclo vicioso que desincentiva o investimento e o crescimento dos negócios.

O presidente da Fiesp destaca que as condições atuais não apenas dificultam o financiamento de operações comerciais, mas também geram uma atratividade maior para investimentos em renda fixa. “Por que empreender, inovar ou expandir operações se o capital é mais bem remunerado na inércia da renda fixa?”, questiona Skaf, sublinhando a desmotivação que permeia o ambiente empresarial sob taxas tão altas.

Descompasso entre a Selic e o mercado

Outro ponto levantado por Skaf diz respeito à discrepância entre a taxa Selic e os juros efetivamente pagos por empresas e consumidores. O presidente da Fiesp enfatiza que o crédito no mercado é muitas vezes muito mais caro, devido a prêmios e spreads aplicados, tornando-o “proibitivo” para pequenos comerciantes e cidadãos comuns. Essa realidade restringe o acesso a capital de giro, consumo e investimentos, prejudicando o crescimento econômico.

Skaf defende a ideia de que as condições para um ciclo de afrouxamento monetário já estão presentes, e que não há justificativas plausíveis para postergar cortes na taxa de juros. Ele observa que a inflação brasileira não é fruto de um excesso de demanda, mas sim um reflexo das elevadas taxas de juros que penalizam o setor produtivo em um cenário que deveria ser de recuperação econômica.

Contas públicas e crescimento econômico

Além disso, Skaf destaca que a elevada taxa de juros pode transformar o ajuste fiscal em uma “ficção contábil”. As despesas financeiras pesam no orçamento, enquanto o crescimento econômico e a geração de empregos ficam comprometidos. A política monetária restritiva, portanto, não apenas atenua a inflação, mas pode também dificultar a consolidação fiscal, criando um paradoxo que prejudica tanto o setor público quanto o privado.

Na conclusão da carta, Skaf sugere um encontro institucional com a autoridade monetária para discutir os rumos da economia, evidenciando a necessidade de um diálogo mais próximo entre o setor produtivo e as decisões do Banco Central. Essa manifestação é um reflexo das pressões contínuas de associações empresariais que clamam por juros mais baixos, contrapondo-se à estratégia atual de controle inflacionário da autoridade monetária.

A situação atual demanda atenção e ação. O contraste entre a estratégia de controle da inflação e a realidade vivida pelas industries é um tema que precisa ser debatido amplamente, considerando o impacto direto nas vidas de milhões de brasileiros. Os próximos passos na política monetária poderão determinar não apenas o futuro da economia, mas também o bem-estar social em um país que busca recuperação e crescimento.

Fonte: brazileconomy.com.br

Fonte: Flávio Florido/Sebrae-SP

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